Publicado em 07/08/2026 às 11h24 Indaiatuba Saúde
Ana Rita A. da Fonseca Falleiros, Farmacêutica Oncológica, CRFSP 76.893
Foto: Divulgação
Por: ANA RITA FALLEIROS
Como farmacêutica oncológica, convivo diariamente com pacientes e familiares que chegam ao consultório ou à sala de infusão carregando dúvidas, receios e muitas angústias. E entre todas as perguntas que escuto no início do tratamento, uma surge com impressionante frequência: “A minha quimioterapia vai ser a branca ou a vermelha?”.
Na maioria das vezes, essa pergunta não nasce apenas da curiosidade. Ela vem acompanhada de medo, alimentado por histórias antigas que passam de boca em boca. Muita gente acredita que a quimioterapia vermelha é extremamente mais forte e agressiva, enquanto a branca é mais leve ou com menor poder de ação.
A resposta, no entanto, é simples: a cor do remédio não tem relação com sua eficácia, com a sua “força” ou com a gravidade dos efeitos.
A coloração de qualquer medicamento vem da estrutura química da sua substância ativa. Do mesmo jeito que o tomate é vermelho por causa do licopeno e a cenoura é laranja pelo betacaroteno, algumas moléculas de medicamentos tem cor própria.
Alguns exemplos ajudam a entender de onde vem essas cores:
Vermelha: é o caso de remédios como a doxorrubicina, em que o tom vermelho é natural da própria substância.
Amarela: medicamentos como o metotrexato tem uma cor amarelada bem visível.
Azul: temos medicações como a mitoxantrona, que apresentam um azul escuro marcante.
Transparente: a chamada “quimioterapia branca” recebe esse nome popular, embora a maioria desses medicamentos seja, na verdade, incolor e se pareça com o soro fisiológico.
O que realmente determina se o remédio vai dar mais enjoo, queda de cabelo, cansaço ou alterações na imunidade não é a cor do líquido. É o mecanismo de ação da substância, ou seja, a forma como ela age no corpo para combater o tumor e o modo como o organismo de cada pessoa responde.
Na oncologia, a cor do medicamento pode chamar a atenção, mas não define sua potência. O que realmente importa é que cada tratamento é escolhido de forma individualizada para oferecer ao paciente a melhor chance de resposta com segurança.
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