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Venda de figurinhas da Copa do Mundo movimenta bancas de jornal

Movimento de colecionadores permite novas estratégias para impulsionar os negócios

 Publicado em  26/05/2026 às 14h08  Indaiatuba  Cidades


Em 2022, o faturamento cresceu 50% com as vendas de figurinhas

Em 2022, o faturamento cresceu 50% com as vendas de figurinhas
Foto: Divulgação

Por: Ana Paula Kuntz

Em época de Copa do Mundo de futebol, as bancas de jornal poderiam ser chamadas de “bancas de figurinhas”. Tipo de estabelecimento historicamente tradicional no comércios de álbuns e pacotinhos, elas ganham vida nova no período em torno da competição. Dados consolidados da edição passada por analistas do varejo, projetam que o potencial é de triplicar o faturamento nas semanas de pico. Um levantamento da Cielo mostra que o faturamento das bancas a partir da maquininhas de cartão aumentou até 347,1% logo após o lançamento do álbum da Copa 2022. A estimativa é alinhada com a realidade de Indaiatuba, conforme relata Ana Paula de Moutra, proprietária da banca que leva seu nome, na Avenida Conceição, que viveu exatamente essa experiência. “Em 2022, vendemos 700 álbuns e 50.000 envelopes de figurinhas, triplicando o faturamento no período. Esse ano, nossa expectativa é vender 50% a mais”, diz.

Contudo, apesar do notável aumento do movimento, a realidade das bancas de jornal já não é tão fácil, uma vez que a concorrência agora é com outros tipos de estabelecimentos. Miguel Geron de Oliveira, por exemplo, que completou o álbum em 15 dias a partir do lançamento, conta que, além de banca, foi a mercado, farmácia e rede de fast food adquirir seus pacotinhos. “Comprei até pelo iFood”, diz ele. Como colecionador, sua tática foi eficiente. Investindo cerca de R$ 1.100 e muita dedicação nas trocas, ele atingiu sua meta de completar a coleção ficando com uma sobra de apenas 10 figurinhas repetidas.

Para Jimena Gavioli, da Revistaria Gavioli, na Praça Dom Pedro II, no centro, como empreendedora, essa pulverização não é nada interessante. Apesar de entender o plano de distribuição, já que o número de bancas de jornal é cada vez menor, ela lamenta. “Indaiatuba chegou a ter 30 bancas décadas atrás; na última Copa, eram 12 e, hoje, há apenas nove. O modelo de negócio das bancas sobreviveu à chegada da Internet com criatividade e resiliência. A nós, como empreendedores, cabe agora criar novas estratégias para frutificar essa busca pelas figurinhas não apenas focando na vendas dos colecionáveis, mas aproveitando para fortalecer o relacionamento com clientes que, em grande parte, estão sendo estimulados pela primeira vez na vida em uma banca.”

Estimular a venda cruzada é uma das prioridades. Há alguns anos, desde que jornais impressos deixaram de ser o carro-chefe das bancas, esses pontos de venda têm oferecido uma gama de produtos que vão de eletrônicos a guloseimas, além de itens editoriais que não são propriamente noticiosos. Na banca Ana Paula, por exemplo, os campeões de venda são revistas de passatempos, gibis infantis e cartas Pokémon, além de brinquedos, cabos e carregadores para celular. “Ainda vendemos jornais e revistas, mas muito menos que há 27 anos, quando eles representavam 90% do faturamento”, diz a proprietária.

RELACIONAMENTO
Diante desse cenário, o principal investimento das bancas acaba sendo no capital humano. Os esforços são direcionados à construção de novos relacionamentos, fidelização e senso de comunidade - especialmente nos eventos de trocas de figurinhas junto às bancas. “O cliente de figurinhas é muito focado, geralmente volta só daqui quatro anos”, diz Ana Paula. E Jimena concorda. “Por conta disso, promovemos ações com objetivo de estreitar o relacionamento e incentivar que o cliente frequente a banca fora da época de Copa”. Para tanto, tamém entra na estratégia uma comunicação ativa via mensagens diretas, produção de conteúdo nas redes sociais divulgação ações sociais e promoções, um atendimento personalizado oferecendo reserva de produtos, por exemplo, sempre buscando manter um posicionamento proativo para mostrar que as bancas têm muito mais a oferecer,”Especialmente a magia”, ressalta Jimena, que está à frente da mais antiga banca de Indaiatuba, há 58 em atividade. “Ir à banca é um evento em si. É um tipo de comércio singular, uma experiência única, que traz uma nostalgia, um verdadeiro encanto que não podemos deixar que se perca.”

 

ATUALIZAÇÕES

Depois da convocação oficial na última segunda-feira, o elenco de jogadores do Brasil que irá para a Copa é diferente daquele que consta no álbum da Panini. Tendo Neymar como principal desfalque, a coleção já está incompleta até para fãs que se empenharam como Miguel. “Já estou aguardando o kit de atualização, isso é normal”, diz. Serão contemplando os 13 nomes faltantes do Brasil, que são, além do camisa 10, Endrick, Ederson, Weverton, Alex Sandro, Bremer, Douglas Santos, Ibañez, Léo Pereira, Danilo Santos, Fabinho, Igor Thiago e Rayan.

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