Publicado em 08/08/2019 às 08h00 Valinhos Cidades
Valinhos é a terceira cidade menos violenta do Brasil segundo o Atlas da Violência – Retrato dos Municípios Brasileiros 2019, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), atrás de Jaú e Indaiatuba. A análise levou em consideração 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, entre 2016 e 2017. Nas cidades menos violentas, indicadores de desenvolvimento humano, como educação, desenvolvimento infantil e mercado de trabalho são parecidos com os de países desenvolvidos.
Segundo o secretário de Segurança Pública e Cidadania de Valinhos, coronel Carlos Roberto Prestes, o trabalho de segurança pública na cidade é bastante complexo e ininterrupto, com ação integrada da Guarda Civil Municipal (GCM), Polícia Militar e Polícia Civil durante 24 horas por dia para oferecer segurança ao moradores.
“Na composição desse índice, não podemos deixar de citar ainda as condições oferecidas aos moradores, com educação municipal e estadual de excelência, moradias com abastecimento de água potável, coleta e saneamento de esgoto, mercado de trabalho privilegiado, entre outros fatores sociais que transformam a cidade em um local aprazível e desejado por inúmeros habitantes”, disse o secretário.
De acordo com Prestes, os resultados serão ainda melhores nos próximos anos. “O trabalho de inteligência é importantíssimo, mas de nada serviria se não morássemos numa cidade tão bem estruturada, fruto de um trabalho incansável da Administração pública”, defendeu.
O levantamento relaciona violência a índices de desenvolvimento humano. Nesses índices, Valinhos tem posição privilegiada, em alguns deles melhor que nas duas cidades que lideram o ranking de cidades menos violentas, respectivamente Jaú e Indaiatuba. A taxa de atendimento escolar da população entre 15 e 17 anos é de 90,5% em Valinhos, enquanto em Jaú é de 76,9% e em Indaiatuba é de 86%. A cidade fica somente abaixo de São Caetano do Sul (SP), que está na 14ª posição no ranking das cidades menos violentas do País, mas apresenta índice de 93,8% no atendimento escolar da população entre 15 e 17 anos.
Valinhos também apresenta baixíssimo índice de pessoas entre 15 e 24 anos que não estudam nem trabalham e são vulneráveis à pobreza, com 1,8% da população. Jaú tem índice de 3,95% e Indaiatuba 2,5%. Já a taxa de desocupação entre 18 e 24 anos é de 8,5%, menor que Indaiatuba, de 10,9%. Em Jaú essa taxa é de 6,8%.
Valinhos tem 11,9% crianças em situação de vulnerabilidade à pobreza, enquanto Indaiatuba tem 13,4% e Jaú tem 18,7%. O índice de crianças pobres em Valinhos é de 3,5%, Jaú tem 5,9% e Indaiatuba 2,9%. Entre as primeiras colocadas, Valinhos apresenta ainda baixos índices em relação aos domicílios com abastecimento de água e esgotamento sanitário inadequados, de 0,3%, e às mulheres que tiveram filhos com idades entre 10 e 17 anos, de 5%.
Atlas
Elaborado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Atlas da Violência foi divulgado na segunda-feira (5). No ranking dos 20 municípios menos violentos, 14 são paulistas. Além de Jaú, Indaiatuba e Valinhos, a quarta e quinta colocação são Jaraguá do Sul e Brusque, ambas de Santa Catarina (SC). O estudo identificou 15 unidades federativas que tiveram redução no índice de criminalidade entre o período analisado.
A taxa estimada de homicídios em Valinhos é de 4,7 por 100 mil habitantes, enquanto Jaú tem taxa de 2,7 e Indaiatuba 3,5. A média entre os 20 municípios mais pacíficos é de 7 homicídos por 100 mil habitantes, taxa que sobe para 102,5 entre os 20 mais violentos.
Alerta
O Atlas da Violência mostra que houve um crescimento das mortes nas regiões Norte e Nordeste influenciado, principalmente, pela guerra do narcotráfico, a rota do fluxo das drogas e o mercado ilícito de madeira e mogno nas zonas rurais. O estudo identifica uma heterogeneidade na prevalência da violência letal nos municípios e revela que há diferenças enormes entre as condições de desenvolvimento humano nos municípios mais e menos violentos.
O município mais violento do Brasil, com mais de 100 mil habitantes, é Maracanaú, no Ceará. Em segundo lugar está Altamira, no Pará, seguida de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Dos 20 mais violentos, 18 estão no Norte e Nordeste do país. De acordo com o coordenador do estudo, o pesquisador Daniel Cerqueira, do Ipea, os municípios mais violentos têm 15 vezes mais homicídios em relação aos menos violentos.
Nos municípios mais violentos, o perfil socioeconômico é mais parecido com países latino-americanos ou africanos: as pessoas, em geral, não têm acesso à educação, desenvolvimento infantil e mercado de trabalho.
Alguns dados surpreenderam os pesquisadores. Apesar de Santa Catarina ser um dos estados mais pacíficos, a taxa de homicídios em Florianópolis aumentou 70%, de 2016 para 2017. Por outro lado, houve diminuição das mortes em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde há uma boa organização policial e a solução de homicídios é maior do que no resto do país, segundo o Ipea.
Solução
A solução, sugerida pelo estudo, conjuga três pilares fundamentais. Em primeiro lugar, o planejamento de ações intersetoriais, voltadas para a prevenção social e para o desenvolvimento infanto-juvenil, em famílias de situação de vulnerabilidade. Em segundo lugar, a qualificação do trabalho policial, com mais inteligência e investigação efetiva. Por fim, o reordenamento da política criminal e o saneamento do sistema de execução penal, de modo a garantir o controle dos cárceres pelo Estado.
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