Publicado em 23/10/2026 às 10h00 Indaiatuba Cidades
LOA em números
Foto: Mais Expressão
Ana Paula Kuntz
Quem quiser sugerir onde o dinheiro público de Indaiatuba será aplicado em 2027 tem até o dia 30 de outubro para enviar suas ideias. Esse é o prazo final da consulta pública da Lei Orçamentária Anual (LOA), documento que define quanto a cidade vai arrecadar e como vai gastar cada real no ano que vem. O projeto está disponível desde 15 de outubro no site da Prefeitura, que recebe as sugestões via Secretaria da Fazenda, por e-mail.
Não é preciso ser especialista: basta apontar o que falta no seu bairro. A participação popular é importante porque essa peça decide quanto vai para a saúde, para a escola, para o asfalto e para a iluminação. Quando a população não acompanha, as escolhas ficam restritas ao gabinete. Quando participa, o debate ganha peso. Entre 20 de março e 20 de abril, a Prefeitura já havia aberto a ferramenta Planejamento Interativo, em que o morador indicava três áreas prioritárias e duas ações. A gestão afirma que essas contribuições foram aproveitadas, mas não divulgou quantas pessoas participaram.
O que o projeto prevê
Atualmente, o texto enviado à Câmara em 8 de outubro (Projeto de Lei 50/2026), estima receita e fixa despesa em R$ 2,953 bilhões, alta de 8,8% sobre os R$ 2,715 bilhões de 2026. Do total, R$ 2,898 bilhões vêm das receitas correntes, o dinheiro do dia a dia, como impostos, taxas e repasses. Outros R$ 55,6 milhões são receitas de capital, ligadas a operações de crédito, com alta de 44% em relação ao ano passado.
Do lado do gasto, R$ 2,669 bilhões são despesas correntes, o custeio da máquina: salários, contratos, manutenção e serviços. Outros R$ 188,9 milhões são despesas de capital, o investimento em obras e equipamentos. Na prática, são os gastos que aumentam o patrimônio da cidade ou reduzem a dívida, como construir uma escola, comprar ambulâncias, recapear uma rua ou adquirir computadores. É diferente das despesas correntes, que apenas mantêm a máquina funcionando, sem deixar obra ou bem permanente. Há ainda R$ 95,4 milhões em reserva de contingência, uma poupança para imprevistos.
De onde vem e
para onde vai
A maior parte do dinheiro não nasce em Indaiatuba. Tomando como base de referência a LOA de 2026, as transferências responderam por 54,2% das receitas da Prefeitura. O ICMS, repasse estadual, foi a maior fonte isolada, com 20,6%. O Fundeb , o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, que reúne impostos para financiar as escolas públicas, ficou com 10,3%, o FPM , o Fundo de Participação dos Municípios, repasse da União formado por parte do Imposto de Renda e do IPI, com 7,7% e o IPVA , o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, do qual metade fica com o município de registro do veículo, com 6,9%. Os impostos próprios somaram 33,7%, com destaque para o ISS , o Imposto Sobre Serviços, cobrado de empresas e profissionais, (13,4%) e o IPTU , o Imposto Predial e Territorial Urbano, cobrado dos donos de imóveis, (10,6%). Essa dependência explica por que a arrecadação sente tanto quando a economia desacelera.
Na divisão por secretaria, os gastos de 2027 têm como prioridade a Educação: a pasta lidera com R$ 666,8 milhões, seguida da Saúde, com R$ 600,9 milhões. Vêm depois Serviços Urbanos e Meio Ambiente (R$ 175,2 milhões), Mobilidade Urbana (R$ 112,3 milhões) e Obras (R$ 108,1 milhões). Por função de governo, a Educação (incluindo a FIEC) e a Saúde somam 44,4% do total dos gastos previstos, enquanto Urbanismo e Saneamento formam o segundo maior bloco, com quase 19% do orçamento.
O que muda em
relação a 2026
Em relação a 2026, o orçamento cresce, mas o investimento encolhe. As despesas de capital caem de R$ 192,1 milhões para R$ 188,9 milhões, enquanto o total do orçamento, que soma receitas e despesas, sobe 8,8% , passando de R$ 2,715 bilhões para R$ 2,953 bilhões. Na prática, sobra menos para construir e mais para manter a máquina funcionando.
O déficit primário projetado até o momento é de R$ 229,1 milhões. Em linguagem simples: o previsto para entrar é menor que o previsto para sair, e a diferença precisa ser coberta com sobras de anos anteriores ou novas receitas.
Há ainda movimentos internos que merecem atenção. O orçamento previsto para a Câmara cresce 21,83%, passando de R$ 33,585 milhões para R$ 40,915 milhões, o maior avanço percentual entre os órgãos da administração. O motivo desse aumento ainda não foi detalhado publicamente. Já a FIEC perde metade da receita, de R$ 17,1 milhões para R$ 8,4 milhões. O ano de 2027 deve ser de equilíbrio delicado: menos espaço para obra nova, pressão do custeio e necessidade de acompanhar a arrecadação mês a mês, num cenário de juros altos e economia moderada.
O que você pode
sugerir
Não é preciso dominar números. Vale ser específico: citar o endereço, o problema e o efeito na vida de quem mora ali. É possível sugerir, por exemplo, melhorar a iluminação de ruas escuras e a manutenção de praças, pedir recapeamento e drenagem em pontos de alagamento, ampliar vagas em creches e reformar escolas, reforçar as equipes de saúde da família com horário estendido nas UBS, levar transporte público a bairros afastados, instalar câmeras e iluminação em corredores de ônibus e garantir acessibilidade em calçadas e prédios públicos.
Cada sugestão enviada até 30 de outubro entra no debate do orçamento. É a chance de o morador dizer, com o próprio nome, o que espera da cidade em 2027.
As sugestões devem ser enviadas para o e-mail [email protected], sempre dentro do tema do orçamento.
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