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Seis em cada dez brasileiros não consomem álcool, aponta pesquisa

Brasil registra a maior taxa de pessoas que não bebem da história, impulsionada pelos jovens

 Publicado em  02/03/2026 às 13h56  Brasil  Comportamento


A abstinência ao álcool também tem impacto na saúde nutricional.

A abstinência ao álcool também tem impacto na saúde nutricional.
Foto: Divulgação

O Brasil alcançou, no último ano, a maior taxa de abstinência ao álcool já registrada em levantamentos recentes. De acordo com pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec, a pedido do CISA, 64% dos brasileiros declararam não consumir bebidas alcoólicas. O índice representa um avanço significativo em relação a 2023, quando 55% da população se dizia abstêmia.
A mudança de comportamento é liderada principalmente pelos mais jovens. Entre adultos de 18 a 24 anos, a proporção de pessoas que não bebem saltou de 46% para 64%. Já na faixa etária de 25 a 34 anos, o percentual passou de 47% para 61%. O estudo também identificou uma queda na frequência do consumo: houve redução de seis pontos percentuais na ingestão semanal ou quinzenal de álcool. Entre aqueles que ainda bebem, 39% afirmam consumir apenas uma a duas doses por ocasião.
Para o psicólogo Carlos André Moreira, a principal motivação social por trás desse movimento está ligada à forma como o álcool passou a ser percebido. “Durante muito tempo, o álcool foi utilizado como uma espécie de distração emocional, algo que alivia tensões, facilita interações sociais ou anestesia desconfortos psíquicos. Entre os jovens, esse movimento de abstinência tende a ser mais forte justamente porque, nos últimos anos, há um maior consumo de outras drogas, além do aumento do uso de pornografia e jogos eletrônicos”, explica.
Apesar dos avanços, o levantamento alerta que o uso abusivo do álcool ainda é um desafio de saúde pública. A taxa desse comportamento se manteve relativamente estável, passando de 17% em 2023 para 15% em 2025. Além disso, persiste uma percepção distorcida entre bebedores abusivos: 82% acreditam beber moderadamente, enquanto apenas 9% reconhecem o exagero e consideram mudar o hábito. “Com o tempo, o que começa como distração pode se transformar em um engano do juízo crítico”, completa o psicólogo.

Foco nas calorias 
A maior abstinência ao álcool também tem impacto direto na saúde nutricional. A nutricionista Fernanda Nascimento Hermes explica que a exclusão do álcool reduz significativamente o consumo de calorias vazias.
“Uma pessoa que deixa de consumir álcool socialmente pode economizar, em média, 200 a 300 kcal por semana. Um copo de cerveja tem cerca de 140 a 150 kcal, e uma taça de vinho, entre 120 e 130 kcal”, afirma.
Segundo a especialista, além de favorecer a perda de peso, a redução do consumo contribui para o melhor funcionamento do fígado e para o bem-estar geral. Ela reforça ainda a importância da hidratação: “Com a exclusão do álcool, é fundamental manter o consumo médio de cerca de dois litros de água por dia, aliado a uma alimentação equilibrada, sem excessos ou restrições extremas”, conclui.
 

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    Foto: Divulgação

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