Publicado em 02/04/2026 às 11h36 Brasil Saúde
Dr. Luiz Finotti atuou na linha de frente e também enfrentou a Covid-19
Foto: Divulgação
Por: Flávia Girardi
Seis anos após o início da pandemia da Covid-19, as marcas deixadas vão muito além dos números. Elas permanecem na memória de quem enfrentou o medo, conviveu com perdas e, sobretudo, de quem esteve na linha de frente no atendimento aos pacientes. Para médicos que vivenciaram aquele período intenso, o impacto foi não apenas profissional, mas também emocional e humano.
O médico intensivista Eduardo Pereira, do Indaiatuba Hospital, relembra o cenário vivido nos primeiros meses da crise sanitária. Segundo ele, o desconhecimento sobre a doença trouxe insegurança generalizada, tanto para profissionais quanto para a população.
“Era tudo novo, havia muito medo, os quadros eram graves, não existia vacina e tínhamos muitas dúvidas. A ciência precisava de tempo, mas havia uma pressão enorme por respostas imediatas”, afirma.
Eduardo também destaca um ponto que, segundo ele, marcou profundamente sua trajetória: a interferência de opiniões externas no entendimento da população sobre a pandemia.
“A ciência não pode se misturar com a política. Quando a política entra na sala, a ciência sai por outra porta. Muitas vezes, a opinião de um político tinha mais peso do que a de um médico que estava dentro da UTI, vivenciando aquilo todos os dias”, relata.
Com décadas de experiência e formação sólida, o intensivista conta que chegou a ser questionado nas ruas por pessoas influenciadas por discursos divergentes da realidade hospitalar. “Isso foi algo que me marcou muito. Ver o quanto a opinião pública pode ser impactada por falas que nem sempre refletem o conhecimento técnico.”
Para o psiquiatra Luiz Finotti, do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC), o período também foi de extrema pressão emocional. Ele ressalta que, apesar das dificuldades, a experiência trouxe aprendizado e senso de propósito.
“Foi um momento de muito estresse, que nos deixou fragilizados. Mas, ao mesmo tempo, foi enriquecedor. Conseguimos adquirir mais experiência, aprender novas formas de cuidado e reforçar o sentimento de dever cumprido”, avalia.
Finotti viveu a pandemia de forma ainda mais intensa ao contrair a doença logo no início. Ele chegou a ficar internado na UTI onde trabalhava, em um quadro grave.
“Não é fácil falar sobre isso. Foi uma experiência muito marcante. Fiquei cerca de 40 dias internado, sendo 20 deles entubado. Saí bastante debilitado, mas, dentro do possível, consegui me recuperar”, conta.
Mesmo após enfrentar a doença de forma tão severa, o médico retornou ao trabalho assim que teve condições, inclusive no mesmo ambiente em que esteve internado.
“Foi um processo difícil, ainda carrego marcas, mas também reforçou meu compromisso com a profissão e com os pacientes”, afirma.
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