Publicado em 22/09/2026 às 09h45 atualizado em 22/09/2026 às 09h47 - Indaiatuba Pets
A medicina preventiva também é uma das principais aliadas para garantir mais qualidade e expectativa de vida aos animais
Foto: Divulgação
PETS
Flávia Girardi
Eles ocupam o sofá, acompanham a rotina da casa, participam das viagens, aparecem nas fotos e, para muitas famílias, já têm lugar garantido entre os membros mais queridos. Mas, quando o assunto é saúde, ainda existe um hábito que precisa mudar: esperar o pet adoecer para procurar ajuda.
Assim como acontece com os seres humanos, a medicina preventiva também é uma das principais aliadas para garantir mais qualidade e expectativa de vida aos animais. A diferença está em entender que prevenção não se resume à carteira de vacinação em dia. Ela envolve uma combinação de acompanhamento veterinário, exames, alimentação adequada, controle de parasitas, manejo correto e atenção ao ambiente em que o animal vive.
“Os cuidados de prevenção vão muito além da vacinação e da vermifugação”, explica o Dr. Igor Moretto Soffo, médico-veterinário e supervisor da Clínica de Pequenos Animais do Hospital Veterinário da UniMAX Indaiatuba. Segundo ele, a rotina preventiva deve considerar também o controle de ectoparasitas, o uso de coleiras repelentes quando indicado, os passeios, a alimentação e até os cuidados dentro de casa.
Prevenir começa na rotina
Um brinquedo inadequado, uma substância tóxica ao alcance do animal, uma briga ou mesmo o acesso irrestrito à rua podem transformar situações aparentemente banais em acidentes graves. Por isso, o olhar preventivo começa muito antes da consulta.
A avaliação periódica do médico-veterinário permite acompanhar o estado físico do animal e identificar alterações que nem sempre são percebidas pelo tutor. Exames laboratoriais e de imagem também podem ser indicados de acordo com a espécie, raça, idade, histórico e estilo de vida.
E existe outro benefício importante: o diagnóstico precoce. Muitas doenças apresentam sinais discretos no início e, quando são descobertas, já podem estar em estágio mais avançado. “Ainda que as doenças comecem a aparecer ao longo da vida do animal, o diagnóstico precoce e o acompanhamento veterinário aumentam as chances de cura”, destaca Igor.
A frequência das consultas e dos exames não é igual para todos. Um filhote, um animal adulto e um pet idoso têm necessidades diferentes. O mesmo vale para raças e estilos de vida distintos. É justamente por isso que o acompanhamento individualizado faz tanta diferença.
Vacinar é um gesto de proteção
A vacinação continua sendo um dos pilares da prevenção. Mesmo um animal que vive dentro de casa está sujeito a diferentes agentes infecciosos, e algumas doenças podem apresentar evolução grave ou até fatal.
Segundo o especialista, o protocolo vacinal deve ser definido pelo médico-veterinário e atualizado conforme as recomendações atuais. É importante que o profissional avalie o histórico e as necessidades daquele animal.
A vermifugação também merece atenção. Cães e gatos podem entrar em contato com parasitas em diferentes situações do cotidiano, e o protocolo deve levar em consideração hábitos, ambiente e estilo de vida.
Em determinadas regiões, existe ainda uma preocupação específica com a dirofilariose, conhecida como verme do coração. A prevenção deve ser discutida com o médico-veterinário, especialmente em áreas onde há maior risco de transmissão.
O prato também é parte da prevenção
Se a alimentação é um dos pilares da saúde humana, não seria diferente para cães e gatos. Hoje, o mercado oferece uma grande variedade de alimentos completos, formulados de acordo com as necessidades nutricionais dos animais e suas diferentes fases da vida.
As rações premium e super premium podem oferecer uma alimentação equilibrada quando escolhidas de maneira adequada. Já a chamada alimentação natural também conquistou espaço entre os tutores, mas exige um cuidado essencial: orientação profissional.
“A alimentação natural deve ser orientada por um médico-veterinário, preferencialmente especializado em nutrição”, ressalta Igor. A recomendação é importante para evitar deficiências nutricionais, excesso de determinados nutrientes, obesidade e outras doenças relacionadas à alimentação.
Quando o amor também precisa de limites
Um dos maiores desafios para os tutores está justamente em um gesto que parece demonstrar carinho: compartilhar a própria comida.
A humanização dos pets pode levar ao oferecimento de alimentos inadequados, muitas vezes sem que o responsável perceba os riscos. Excesso de calorias pode provocar ganho de peso e doenças metabólicas. Outros alimentos podem desencadear alterações gastrointestinais ou problemas hepáticos e pancreáticos. Ossos também podem representar risco de corpos estranhos e lesões.
Outro ponto de atenção está nas informações que circulam nas redes sociais. Receitas caseiras e recomendações de pessoas sem formação na área podem parecer inofensivas, mas nem sempre têm respaldo científico.
Na dúvida, a melhor fonte continua sendo o profissional que conhece as necessidades específicas daquele animal.
Uma vida mais longa começa antes dos sintomas
No fim das contas, prevenção é uma mudança de cultura. É deixar de enxergar a consulta veterinária como uma medida emergencial e incorporá-la à rotina de cuidados.
Vacinação, vermifugação, controle de parasitas, alimentação equilibrada, atividade física, ambiente seguro e consultas periódicas formam uma rede de proteção. Juntos, esses cuidados ajudam não apenas a evitar doenças, mas também a identificar alterações precocemente e preservar a qualidade de vida.
E há ainda uma vantagem bastante prática: prevenir costuma custar menos do que tratar uma doença já instalada.
Para Igor, o conselho mais importante aos tutores é simples: “Visite regularmente o médico-veterinário”. Afinal, se os pets fazem parte da família, cuidar deles também significa pensar no futuro, não apenas quando algo dá errado, mas todos os dias.
Porque envelhecer ao lado de quem amamos é ainda melhor quando podemos fazer nossa parte para que essa história dure mais.
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