Publicado em 16/10/2026 às 11h40 Indaiatuba Saúde
Michele Aparecida R. Sigueoka CRF 28.040 – Farmacêutica Oncologista e de Pesquisa Clínica
Foto: Divulgação
MICHELE SIGUEOKA
ESPECIAL PARA O MAIS EXPRESSÃO
Parece simples, não é? Talvez
você já tenha respondido
mentalmente. Mas
será que acertou? A resposta
é: depende da porta!
E é exatamente aqui que
começa nossa conversa.
Como Farmacêutica, escuto
frequentemente de pacientes e
familiares: “Mas se a quimioterapia
é em comprimido, não
é mais fraquinha? Afinal, é só
um comprimido!” Essa dúvida
também aparece nas conversas
entre amigos. E eu entendo de
onde vem essa impressão.
Uma bolsa de quimioterapia,
um acesso venoso e uma
sala de infusão passam a imagem
de um tratamento “forte”.
Enquanto isso, do outro lado,
temos um comprimido pequeno,
discreto, que o paciente
leva para casa na bolsa.
E talvez seja justamente
o tamanho dele que engane
tanta gente. Porque aquele
pequeno comprimido pode representar
uma estratégia muito
importante contra o câncer.
Pela via intravenosa, o medicamento
chega diretamente
à circulação. Pela via oral, passa
por processos de absorção,
distribuição e metabolismo.
São caminhos diferentes, não
uma competição para descobrir
qual é o mais forte.
A escolha do tratamento
envolve muito mais do que
imaginamos: Tipo e estágio
do câncer, características do
tumor, biomarcadores, condições
clínicas do paciente e
evidências científicas. E há outro
detalhe: nem todo antineoplásico
oral é quimioterapia.
Existem também terapias-alvo,
tratamentos hormonais.
Mas existe algo que eu
sempre gosto de lembrar: tomar
o medicamento em casa
não significa que ele exija menos
cuidado. Horários, alimentação,
interações com outros
remédios e até doses esquecidas
podem fazer diferença. Estudos
internacionais mostram que manter o tratamento oral
conforme a prescrição é um
desafio real no dia a dia. Por
isso, a orientação farmacêutica
e o acompanhamento da
equipe são tão importantes.
“O paciente leva o comprimido
para casa, mas não deve levar
sozinho todas as dúvidas”.
Agora, vamos voltar à porta
do começo. Se ela abre com
senha, de que adianta ter a
melhor chave do mundo?
Talvez estejamos fazendo
a pergunta errada. Em vez de
perguntar “Qual é mais forte,
o comprimido ou a medicação
na veia?”, deveríamos
perguntar: “Qual tratamento
tem a chave certa para o meu
câncer ou para o câncer de
quem eu amo?”
E agora, sim, chegamos à
resposta: a quimioterapia oral
pode ser tão eficaz quanto um
tratamento intravenoso, dependendo
do medicamento, do
tipo de câncer e do objetivo terapêutico.
Isso não significa que
sejam sempre equivalentes.
Um comprimido pode parecer
pequeno. Uma bolsa
de infusão pode impressionar
muito mais. Mas lembre-se:
aparência não trata câncer. Ciência,
estratégia e tratamento
adequado, sim!
ORAL OU VEIA? DEPENDE
DA “PORTA”. O que realmente
importa é encontrar
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