Publicado em 30/10/2026 às 10h00 Indaiatuba Saúde
Resfriamento capilar é oferecido gratuitamente a quem tem indicação
Foto: Divulgação
Camila Alfieri
Há 13 anos, quando começamos a construir o que hoje é o Grupo Onco (Oncoitu- Oncoindaia- OncoRadio), tínhamos um propósito muito claro: mostrar que era possível fazer oncologia com amor, sem abrir mão da excelência técnica e científica.
Na última semana, vivemos um momento especial. Nosso trabalho científico conquistou o 2º lugar entre 202 trabalhos submetidos ao IMON 2026, um importante encontro da enfermagem oncológica.
Mais do que receber um prêmio, foi emocionante perceber que aquilo que fazemos diariamente, longe dos grandes centros, também pode produzir conhecimento e ser reconhecido cientificamente.
O trabalho abordou a implantação de um indicador de qualidade no resfriamento capilar de pacientes com câncer de mama.
O resfriamento capilar é uma tecnologia utilizada durante determinados tratamentos quimioterápicos para tentar reduzir a queda dos cabelos. E, embora muitos ainda considerem essa uma questão estética, sabemos que preservar os cabelos pode significar muito mais: identidade, autoestima, privacidade e a possibilidade de continuar se reconhecendo diante do espelho.
Desde então, oferecemos o resfriamento capilar gratuitamente a todos os nossos pacientes que possuem indicação clínica para sua utilização. Porque sempre acreditamos que cuidar também significa tornar acessível aquilo que pode fazer diferença na experiência de quem enfrenta o câncer.
Mas nosso olhar foi além do equipamento: voltou-se para a experiência do paciente.
Passamos a monitorar as interrupções durante as sessões, compreender suas causas e utilizar essas informações para aperfeiçoar a assistência. Situações aparentemente simples, como o desconforto provocado pelo frio ou a necessidade de ir ao banheiro, transformaram-se em oportunidades para melhorar orientações, antecipar necessidades e reorganizar processos.
É justamente aí que está a importância de produzir ciência dentro dos serviços de saúde.
Pesquisar não significa apenas descobrir medicamentos ou desenvolver tecnologias. Também significa questionar nossa própria prática, identificar oportunidades de melhoria e transformar experiências cotidianas em conhecimento que possa beneficiar outras pessoas.
Esse reconhecimento representa o trabalho de uma equipe que acredita que humanização e ciência caminham juntas. Afinal, por trás de cada indicador, existe uma pessoa, uma história e alguém que merece ser cuidado em sua totalidade.
Voltamos desse encontro com a certeza de que não é necessário estar em um grande centro para produzir conhecimento relevante. É necessário ter compromisso, sensibilidade e coragem para fazer diferente.
Porque o maior valor dessa conquista não está no prêmio, mas na possibilidade de transformar conhecimento em um cuidado cada vez melhor.
A ciência nos ensina a fazer melhor. O amor nos lembra por quem fazemos.
Camila Oliva Zanotto Alfieri - Enfermeira Oncológica - COREN 209.641.
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