Publicado em 30/01/2026 às 13h43 Indaiatuba Saúde
A vivência com o transplante aproximou Denise do Instituto Gabriel
Foto: Divulgação
Por: Gabriele Domingues
Aos seis anos de idade, Pérola carrega uma história que mistura diagnóstico precoce, espera angustiante e um desfecho marcado por solidariedade. Em dezembro do ano passado, a menina completou cinco anos de transplante hepático, procedimento que só foi possível graças ao “sim” de uma doadora em vida, um gesto que mudou o rumo de duas famílias.
Denise Soares, captadora de recursos do Instituto Gabriel, recorda com precisão o diagnóstico da filha: Pérola nasceu com atresia de vias biliares, uma condição rara que compromete o funcionamento do fígado e pode evoluir para cirrose. A suspeita surgiu ainda nos primeiros dias de vida, após a mãe perceber a icterícia persistente. Aos 24 dias, exames confirmaram a gravidade do quadro e a criança foi encaminhada à Unicamp, onde o diagnóstico foi fechado. Uma cirurgia inicial não apresentou resultado e, com pouco mais de um mês de vida, veio a indicação do transplante.
A criança entrou no cadastro do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que funciona por critérios técnicos e de compatibilidade. Apesar da prioridade pediátrica, a espera é marcada por incertezas. “É um período muito angustiante. Você não sabe se vai dar tempo, se o doador vai aparecer, se a criança vai resistir”, relata Denise Soares.
A família tentou encontrar um doador vivo entre parentes, mas incompatibilidades clínicas impediram o procedimento. Foi então que surgiu Samira, uma jovem sem vínculo familiar direto, que se dispôs a passar por todos os exames exigidos e fazer parte desse propósito. Após autorização judicial, o transplante foi realizado com sucesso em hospital de referência, pelo SUS.
Para Samira, o gesto foi um presente mútuo: "Deus não une só pessoas, une propósitos. Ganhei uma família e uma irmãzinha. Sejam doadores, falem com suas famílias", incentiva.
A vivência com o transplante aproximou Denise do Instituto Gabriel, entidade que atua há mais de 25 anos na conscientização sobre doação de órgãos e transplantes infantis. Criado a partir de uma história marcada por perdas gestacionais, o Instituto transformou a dor em propósito e hoje promove palestras, campanhas educativas, formação de embaixadores da causa e ações de prevenção em saúde. "Não ficaremos para semente, mas podemos ficar como raiz que gera vida em outros", define Denise.
Referência na conscientização sobre o tema, o Instituto Gabriel atua na formação de uma cultura doadora por meio de palestras, campanhas educativas e programas cpara capacita multiplicadores para levar a causa a diferentes públicos. Contato: @institutogabriel
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