Publicado em 12/09/2026 às 06h00 Indaiatuba Educação
A Educação não pode renunciar àquilo que lhe dá sentido: autoria
Foto: Divulgação
ELITON MEIRELES
O que precisa continuar humano
A Inteligência Artificial entrou na escola antes mesmo que a escola tivesse tempo de decidir como recebê-la. Chegou pelo celular dos estudantes, pelos computadores dos professores, pelos planejamentos, pelas pesquisas, pelos textos, pelas dúvidas e, às vezes, pelos atalhos.
Diante disso, a pergunta mais comum costuma ser imediata: a IA faz bem ou mal para a Educação? Mas talvez essa não seja a melhor pergunta. Tecnologias raramente são apenas boas ou ruins. Elas mudam práticas, deslocam tarefas, ampliam capacidades e também criam dependências. O ponto central está em entender o que, exatamente, está sendo transformado.
Quando um estudante usa IA para comparar argumentos, testar hipóteses ou revisar uma ideia, há uma possibilidade de ampliação. Quando utiliza a mesma ferramenta para evitar a leitura, terceirizar uma resposta ou entregar um texto que não consegue explicar, a situação muda completamente. A tecnologia é a mesma. A experiência de aprendizagem, não.
Isso vale para o professor. A IA pode ajudar a organizar informações, criar alternativas, adaptar materiais e apoiar o planejamento. Mas também pode começar a ocupar espaços que exigem julgamento pedagógico, conhecimento da turma e responsabilidade profissional. E nenhuma máquina conhece uma sala de aula como quem está dentro dela.
Por isso, a Educação precisará aprender algo mais sofisticado do que simplesmente usar Inteligência Artificial. Precisará aprender a interrogá-la.
O que essa ferramenta está ampliando? O que está reorganizando? O que está substituindo? Quem continua tomando a decisão? Quem responde pelo resultado? E, principalmente, ainda existe aprendizagem acontecendo?
Talvez a maturidade digital da escola seja medida menos pela quantidade de tecnologias incorporadas e mais pela capacidade de estabelecer limites. Haverá situações em que a IA será uma excelente parceira. Em outras, será dispensável. E haverá momentos em que a melhor decisão pedagógica será fechar a tela.
Inovar também é saber recusar.
Porque a Educação não pode renunciar àquilo que lhe dá sentido: autoria, autonomia, responsabilidade, esforço intelectual e capacidade de pensar por conta própria. A Inteligência Artificial pode ampliar muito do que fazemos. Mas cabe à escola decidir até onde ela entra — e o que, definitivamente, precisa continuar humano.
Autor: Eliton Meireles
Membro da Academia de Letras de Indaiatuba
Diretor Educacional da Amado Maker Editora
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