Publicado em 17/08/2026 às 11h32 Indaiatuba Cidades
Eliton Meireles é diretor educacional da Amado Maker e membro da academia de letras de Indaiatuba (ALI)
Foto: HILDA VICENTE FOTOGRAFIA
Por: Eliton Meireles
Há uma imagem antiga que ainda persiste quando pensamos na formação de professores: alguém conclui a universidade, recebe um diploma e, a partir dali, estaria pronto para ensinar. Mas a docência não funciona assim. Talvez nunca tenha funcionado. Quem ensina também precisa continuar aprendendo, porque a escola não permanece no mesmo lugar — e o mundo, definitivamente, também não.
As tecnologias tornam isso ainda mais evidente. A cada pouco surge uma nova plataforma, um aplicativo diferente, um equipamento mais sofisticado ou uma inteligência artificial capaz de fazer em segundos aquilo que antes exigia horas. É tentador imaginar que formar professores para esse cenário significa ensiná-los a operar essas ferramentas. Mas aprender onde clicar é apenas o começo.
O verdadeiro desafio aparece depois: para que usar? Em que momento? Com quais estudantes? Para alcançar qual aprendizagem? E, talvez a pergunta mais importante, será que é preciso usar?
Um professor pode conhecer dezenas de aplicativos e ainda assim utilizá-los apenas para repetir práticas antigas em novas telas. Da mesma forma, pode dominar poucas tecnologias e empregá-las de maneira extremamente significativa. A diferença está menos no número de ferramentas disponíveis e mais na capacidade de fazer escolhas pedagógicas.
Por isso, formar professores para a cultura digital não deveria significar colocá-los em uma corrida permanente atrás da última novidade. Seria uma corrida difícil de vencer. As tecnologias mudam depressa demais, enquanto as escolas vivem tempos, condições e realidades muito diferentes.
A formação precisa oferecer algo mais duradouro: repertório, reflexão, experiência e critérios. Precisa permitir que professores experimentem, errem, conversem entre si, analisem suas práticas e compreendam o que determinada tecnologia acrescenta — ou retira — de uma experiência de aprendizagem.
Talvez formar um professor para o futuro seja, justamente, não tentar ensiná-lo todas as ferramentas do futuro. É ajudá-lo a construir autonomia para enfrentar aquilo que ainda nem existe. Porque a competência mais importante não é dominar cada nova tecnologia que aparece, mas saber fazer boas perguntas diante dela: quando usar, por que usar, para quê usar — e quando simplesmente deixá-la de lado.
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