Publicado em 30/04/2026 às 13h49 Indaiatuba Saúde
Michele Ap. Ribeiro Sigueoka CRF 28.040, Farmacêutica Oncologista e de Pesquisa Clínica
Foto: Divulgação
Por: Michele Sigueoka
Durante muito tempo, o tratamento do câncer era associado às infusões na sala de quimioterapia. Porém, com os avanços da medicina, uma parte importante do tratamento passou a acontecer em casa, por meio de medicamentos via oral definidos por protocolos clínicos baseados em evidências. São quimioterapias modernas, terapias alvo e hormonoterapias.
No entanto, é preciso responsabilidade com o tratamento. Uma quimioterapia tomada em casa continua sendo uma quimioterapia e precisa ser levada a sério. Cada comprimido integra uma estratégia terapêutica cuidadosamente planejada, que impacta diretamente no tratamento.
Muitos pacientes chegam à primeira dispensação com dúvidas, receios e inseguranças. E é justamente neste momento que o farmacêutico se torna uma ponte entre o conhecimento científico e a tranquilidade do paciente. Momento de cuidado, orientação e construção de confiança.
E essa forma de cuidar tem uma ligação especial com minha própria história. Quando criança, passava as férias em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, e ao visitar a única Farmácia local, observei algo que me marcou. As pessoas chegavam com suas dores, suas dúvidas e preocupações, e o farmacêutico não apenas entregava medicamentos: ele as escutava e orientava. Foi ali que nasceu, dentro de mim, o desejo de seguir essa profissão.
Hoje, trabalhando na área de oncologia, mesmo em meio a protocolos complexos, tecnologias avançadas e tratamentos cada vez mais personalizados, o cuidado humano permanece sendo o centro de tudo.
Na prática, alguns erros podem acontecer não por descuido, mas por falta de orientação adequada. Esquecer doses, interromper o tratamento por conta própria diante de algum efeito adverso ou utilizar o medicamento de forma incorreta.
Por isso, desenvolvemos folders educativos para pacientes em tratamento com medicações orais. E na entrega do medicamento, temos mais uma etapa importante do tratamento: a conversa.
Esta primeira dispensação nos permite identificar a dificuldade de cada paciente. Neste momento orientamos como tomar sua dose de medicação, melhor horário, se pode ser ingerido com ou sem alimento, onde armazenar de forma adequada, o que fazer se esquecer de tomar uma dose.
Ao final do atendimento, o paciente leva mais que o tratamento nas mãos, leva tranquilidade e orientação. Porque no tratamento oncológico, cada dose importa. E quando o paciente entende o seu tratamento, passa a fazer parte ativa do seu próprio cuidado.
Se cada gesto de orientação puder fazer a diferença na jornada de quem enfrenta o câncer, então estaremos sempre melhorando. Porque no final das contas, a oncologia é feita assim: de pessoas cuidando de pessoas.
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