Publicado em 31/07/2026 às 11h12 Indaiatuba Saúde
Camila Oliva Zanotto Alfieri - Dir. Técnica do Grupo Onco - COREN: 209.641 - SP
Foto: Divulgação
Por: Camila Alfieri
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) publicaram o novo Global Status Report on Cancer 2026. Mais do que um relatório epidemiológico, esse documento mostra como a oncologia está mudando e reforça algo em que acredito há muitos anos: cuidar do câncer vai além de tratar um tumor.
Em 2024, o mundo registrou cerca de 20,6 milhões de novos casos de câncer. Até 2050, esse número poderá chegar a 35 milhões por ano. Isso significa que, direta ou indiretamente, praticamente todos nós seremos impactados pela doença.
Mas, curiosamente, a principal mensagem do relatório não é sobre crescimento. É sobre oportunidade. A OMS afirma que o maior desafio da oncologia atual não é descobrir novos tratamentos, mas garantir acesso ao diagnóstico precoce e inóvio do tratamento no tempo certo.
Afinal, quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as chances de cura e menores os impactos do tratamento. Isso reforça a importância de conhecer o próprio corpo, manter os exames em dia e procurar avaliação médica diante de qualquer sinal de alerta.
O relatório também mostra que a medicina personalizada será cada vez mais presente. A escolha da terapia leva em consideração características de cada tumor e de cada pessoa, permitindo tratamentos mais individualizados e eficazes.
Outra informação que me chamou a atenção foi o reconhecimento da radioterapia como uma das áreas que mais crescerão nos próximos anos. Porém, a OMS alerta: não basta investir em tecnologia. É preciso garantir equipes qualificadas, manutenção dos equipamentos e continuidade do atendimento.
Talvez o trecho que mais tenha conversado com aquilo em que acredito esteja no capítulo sobre qualidade do cuidado. A OMS reforça que o sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pela cura, mas também pela qualidade de vida, pelo acolhimento, pelo suporte psicológico, nutricional, fisioterapêutico e pelos cuidados paliativos quando necessários.
Em outras palavras, cuidar é olhar para a pessoa inteira.
O relatório ainda reforça que até 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com hábitos saudáveis, vacinação contra o HPV, redução do tabagismo, consumo consciente de álcool, alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.
Como enfermeira oncológica, estou convencida de que o futuro da oncologia será construído por três pilares inseparáveis: ciência, tecnologia e humanização.
Porque equipamentos tratam doenças. Medicamentos combatem tumores. Mas são as pessoas que cuidam de pessoas.
E talvez esse continue sendo o maior avanço que a oncologia pode oferecer.
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