Publicado em 14/10/2026 às 12h05 Brasil Beleza e Bem estar
Foto: divulgação
O mercado da estética passa por uma de suas transformações mais profundas da última década. Após anos dominados por maçãs do rosto ultradefinidas, lábios extremamente volumosos e rostos paralisados, o cenário atual aponta para a direção oposta: a busca consciente por menos intervenções, descarte dos excessos e valorização da própria identidade.
Apelidado de Quiet Beauty (ou beleza discreta), o movimento tem sido impulsionado pela mudança de comportamento dos próprios pacientes e por uma forte onda de famosas que decidiram reverter procedimentos estéticos. Nomes como Gkay, Gracyanne Barbosa, Scheila Carvalho, Gabi Martins e a norte-americana Kylie Jenner tornaram público o processo de dissolução de preenchimentos e desarmonização facial. O grande objetivo? Voltar a se reconhecer no espelho e recuperar a naturalidade dos traços.
Para a médica pesquisadora Dra. Ana Julia Niederauer (CRM-SP 209614 | RQE 114078), especialista em Cosmiatria e cofundadora do Instituto Bosio Niederauer, esse movimento não representa o fim da dermatologia estética, mas sim o seu amadurecimento.
"O que estamos vivenciando é o esgotamento do padrão artificial. Durante muito tempo, vendeu-se a ideia de que 'quanto mais produto, melhor'. O resultado foi uma perda de identidade coletiva. As mulheres hoje não chegam ao consultório pedindo para mudar o formato do rosto; elas querem uma pele tratada, firme, com viço e aparência descansada. O 'menos é mais' virou a regra de ouro", explica a médica.
Com mestrado e doutorado (PhD) em Farmacologia pela UNICAMP e pós-graduação pelo Hospital Israelita Albert Einstein, a Dra. Ana Julia destaca que a "nova dermatologia" substitui a camuflagem volumétrica pelo gerenciamento celular da pele.
"A ciência atual nos permite trabalhar a favor do organismo, e não contra ele. Em vez de criar volumes falsos com preenchedores em excesso, a prioridade passou a ser o estímulo fisiológico de colágeno, o uso de tecnologias como lasers e ultrassom para sustentação, e as microdoses estratégicas. O objetivo da estética moderna é que a pessoa ouça 'como sua pele está bonita!', e não 'o que você fez no rosto?'", pontua Dra. Ana Julia.
A transição para tratamentos preventivos, regenerativos e minimalistas reflete uma busca por longevidade com sofisticação. Ao priorizar a saúde dos tecidos em vez das transformações drásticas, a dermatologia contemporânea alinha a alta tecnologia médica à autoaceitação e ao bem-estar.
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