Publicado em 06/11/2026 às 10h00 Indaiatuba Saúde
Dr. Aurelio Teixeira Souza - Médico Radioterapeuta - CRM-SP 169500
Foto: Divulgação
Dr. Aurelio Souza
ESPECIAL PARA O MAIS EXPRESSÃO
Todo mês de novembro o assunto da próstata volta a circular, e isso ajuda. O câncer de próstata é o tumor mais comum entre os homens no Brasil, com estimativa de cerca de 78 mil novos casos por ano, segundo o INCA. Boa parte dele é descoberta ainda em fase inicial, quando as chances de controle são altas. Nesses casos, a radioterapia costuma estar entre as opções de tratamento — e é sobre ela que quero falar aqui, já que ainda gera muita dúvida no consultório.
A radioterapia usa feixes de radiação para destruir as células do tumor, procurando poupar ao máximo os tecidos vizinhos. É um tratamento feito em sessões, sem cortes e sem dor: o paciente se deita no aparelho, que trabalha por alguns minutos, e vai embora em seguida. Uma pergunta que ouço com frequência é se a pessoa fica radioativa ou oferece risco à família. Na forma mais usada, a radiação externa, isso não acontece — não há qualquer restrição ao convívio em casa.
No câncer de próstata, a radioterapia pode cumprir papéis diferentes. Em tumores localizados, ela pode ser o tratamento definitivo, com resultados comparáveis aos da cirurgia em cenários bem estabelecidos pela literatura. Em outras situações, é indicada depois da operação, quando há risco maior de a doença retornar. Qual caminho seguir depende das características do tumor, da idade e das condições de cada paciente, e essa conversa faz parte da consulta.
Existem duas maneiras de aplicá-la. A mais comum é a externa, em que o aparelho emite a radiação de fora do corpo, em sessões distribuídas ao longo de algumas semanas. A outra é a braquiterapia, em que pequenas fontes radioativas são colocadas dentro da próstata, tratando o tumor de perto. Antes de começar, fazemos um planejamento com exames de imagem, que serve para mirar o tratamento no ponto certo e definir as margens de segurança.
A dúvida que mais pesa, na prática, é sobre os efeitos colaterais. Vale ser honesto: a radioterapia na próstata pode causar alterações urinárias, intestinais e sexuais, em graus variáveis. A maioria é leve e transitória, mas nem sempre, e isso precisa ser discutido caso a caso. O que mudou nos últimos anos foi a capacidade de direcionar melhor a radiação e proteger a bexiga e o reto, o que tende a reduzir esses efeitos. O acompanhamento ao longo do tratamento serve justamente para identificar e manejar o que aparecer.
A mensagem que fica do Novembro Azul é simples: procurar o médico e manter o acompanhamento em dia. Diante de um diagnóstico de câncer de próstata, há mais de um tratamento possível, e a radioterapia é um deles — com resultados sólidos e um perfil de efeitos que hoje conseguimos controlar melhor do que no passado.
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