Publicado em 16/04/2025 às 11h30 Indaiatuba Especiais
Foto: Mais Expressão
Por Flávia Girardi
Em um mundo repleto de estímulos sonoros, a música ultrapassa o papel de entretenimento e se revela uma poderosa aliada da saúde. Mais do que notas e ritmos, ela é linguagem, afeto e conexão. A musicoterapia, abordagem terapêutica reconhecida cientificamente, tem impactado positivamente a vida de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Síndrome de Down (T21), e outros quadros relacionados ao neurodesenvolvimento atípico, além de idosos com Alzheimer, Parkinson, demência, ou ainda, pessoas com transtornos de fala e diversos outros contextos neurológicos e emocionais.
Para a musicoterapeuta Camila Venâncio, que possui vasta experiência clínica com mentes atípicas, a música é um canal direto com o ser humano. “A música abre portas que, às vezes, a fala não consegue. Ela cria pontes, estabelece vínculos e, muitas vezes, cura”, afirma.
A música tem um papel poderoso na estimulação da fala e da interação social. “A comunicação é muito forte por conta do cantar. Em muitos casos, a criança canta sem perceber que está se comunicando, o que contribui diretamente para seu desenvolvimento linguístico”, explica.
Mas será que qualquer música pode ser terapêutica? A resposta é sim. “Toda música pode ser terapêutica. Nós criamos com o paciente uma identidade sonora. Se ele gosta de funk, por exemplo, vamos ressignificar esse gênero e entender o porquê da conexão. Todos os estilos têm algo de bom a ser explorado, o importante é sempre lembrar que depende de como é usada, por quem e em qual contexto”, defende a profissional.
Camila ressalta que, mesmo com todos os avanços, o reconhecimento pleno da musicoterapia ainda é um sonho em construção. “Assim como a equoterapia já teve um olhar preconceituoso no início, hoje ela é reconhecida. Eu sonho com esse dia, em que a musicoterapia vai deixar de ser um trava-línguas para os profissionais de saúde e passará a ser falada com naturalidade, com respeito. Tem muita gente séria, ética, estudando, pesquisando, e um dia esse reconhecimento vai chegar”.
Outro ponto interessante destacado pela profissional é o valor do silêncio dentro da música. “A música é feita de som e silêncio. E o silêncio também tem uma função terapêutica. Em um dos atendimentos com uma criança autista não verbal de 2 anos, trabalhamos com um pandeirinho do oceano, com bolinhas e peixinhos. A resposta dele ao som, ao movimento, ao silêncio entre uma ação e outra, foi incrível. Ele começou a buscar contato visual, interagir, comunicar-se de outras formas. O silêncio fala, e a música escuta”.
Confira a entrevista na íntegra para o podcast Gente de Expressão clicando aqui.
Camila Venâncio - Musicoterapeuta
Rua Sete de Setembro, 272
WhatsApp: (19) 99305-2034
Instagram: @mt.camilavenancio
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