Publicado em 17/08/2026 às 12h04 Indaiatuba Cidades
Próximo passo é aproximar o conteúdo e escolas do município
Foto: Mais Expressão
Por: Flávia Girardi
A experiência de ouvir e reunir relatos sobre a pandemia da Covid-19 inspirou Ana Maura Tomesani, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Conflito e Paz (CPP), ligado ao Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI) da Universidade de São Paulo (USP), a transformar essas memórias em seu primeiro livro infantil. A autora é também cofundadora da Plataforma Periferias na Pandemia, projeto criado há seis anos pelo CCP/NUPRI/USP em parceria com a Fundação Perseu Abramo para reunir testemunhos de moradores de periferias de diferentes regiões do Brasil.
A partir das histórias reais reunidas pela plataforma, Ana Maura criou uma narrativa voltada ao público infantil. O livro acompanha Kauan, um menino que participa de um projeto escolar de troca de cartas. Por meio das correspondências, crianças de diferentes partes do país contam umas às outras como vivenciaram a pandemia em seus contextos socioterritoriais. A proposta é apresentar diferentes realidades e estimular reflexões sobre empatia, solidariedade e os desafios coletivos.
“Eu li os testemunhos e eu já falei: tem que ter uma carta com esse testemunho”, conta. Os relatos deram origem às cartas que aparecem na história, mantendo a relação com os territórios e situações em que foram registrados.
Essa característica permite que a obra seja trabalhada tanto a partir de uma perspectiva nacional quanto local. “Ele é do Brasil inteiro. Ele fala do Brasil inteiro ali.”
Ana Maura observa que uma criança de Indaiatuba pode ter dificuldade para imaginar como foi atravessar a pandemia vivendo em uma comunidade, em uma comunidade quilombola ou em um território indígena. “Mesmo uma criança de classe média e até de classe média baixa, ela não consegue ter uma noção do que é você viver a pandemia morando numa comunidade ou sendo quilombola, ou sendo indígena.”
A relação da autora com Indaiatuba também aparece nas reflexões sobre sua própria infância. Moradora da cidade desde criança, ela recorda uma convivência entre crianças de diferentes condições sociais no bairro Pau Preto. Para ela, recuperar essa diversidade de vivências também é uma forma de ampliar o olhar das novas gerações.
Por isso, Ana Maura pretende aproximar a obra das escolas. Além de apresentar o livro, ela se coloca à disposição para conversar com professores e participar de atividades com os alunos. “Eu estou muito disponível para ir nas escolas, para apresentar este conteúdo e para conversar com os professores”, afirma.
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