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Inglês na infância: quanto mais cedo melhor?

Oferecer o ensino do idioma às crianças em idade pré- escolar já pareceu mais vantajoso do que de fato a ciência pode provar, mas ainda tem sua importância

 Publicado em  21/09/2026 às 11h32  Indaiatuba  Educação


Começar cedo pode ser uma vantagem. Não é, porém, uma corrida contra o tempo.

Começar cedo pode ser uma vantagem. Não é, porém, uma corrida contra o tempo.
Foto: Divulgação

EDUCAÇÃO

ANA PAULA KUNTZ

Durante anos, uma ideia ganhou força no imaginário dos pais: crianças que aprendem uma segunda língua cedo seriam não apenas mais preparadas para o futuro, mas também mais inteligentes. A hipótese tem origem em pesquisas que investigaram possíveis vantagens cognitivas do bilinguismo, especialmente em atenção, controle executivo e flexibilidade mental, e acabou popularizada muito além do que a ciência permite afirmar. Hoje, porém, o cenário é mais cauteloso. 

 

Uma grande revisão de 2021, publicada na Psychological Science, reuniu dados de 136 artigos, 11 teses e dois conjuntos de dados, envolvendo mais de 23 mil crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. O resultado inicial apontou uma pequena vantagem dos bilíngues em funções executivas. Mas, depois que os pesquisadores ajustaram os dados para possíveis vieses de publicação, concluíram que a suposta vantagem executiva de crianças bilíngues é pequena, variável e pode não ser atribuível ao bilinguismo propriamente dito.

 

Ou seja: aprender duas línguas pode trazer benefícios, mas não há evidência para prometer que isso torne uma criança “mais inteligente”. Ainda assim, a expectativa criada em torno do inglês precoce, antes mesmo da fase de alfabetização, transformou o idioma em quase um item obrigatório no cardápio das escolas particulares. 

Em Indaiatuba, o movimento é visível. Levantamento da reportagem identificou pelo menos uma dezena de instituições particulares com propostas explicitamente bilíngues ou programas bilíngues estruturados, sem contar colégios que ampliam a carga horária de inglês ou incorporam atividades no idioma sem se apresentarem como bilíngues.

As propostas não são equivalentes. Em uma educação bilíngue, o inglês deixa de ser apenas uma disciplina e passa a ser também língua de interação e, em diferentes graus, de aprendizagem de outros conteúdos. Já um programa bilíngue pode combinar o currículo tradicional com períodos ou atividades estruturadas em inglês. 

Há ainda escolas que simplesmente oferecem mais aulas ou experiências no idioma. Além disso, a busca local encontrou mais de uma dúzia de escolas e centros de idiomas com oferta de inglês na cidade, que hoje conta com unidades de quase todas as grandes redes especializadas. 

Na prática, apesar dessa variedade, o cenário mostra que o contato precoce com o inglês, seja como for, passou a responder a uma expectativa das famílias e deixou de funcionar apenas como um diferencial capaz de distinguir uma escola da outra.

De acordo com Bruna Iubel, Gerente Pedagógica Nacional da inFlux Franchising, rede com quase 150 unidades em todo o Brasil e presente em Indaiatuba há 15 anos, a infância é um período favorável para a aprendizagem, mas há uma ressalva importante: se fosse preciso escolher entre começar muito cedo e manter contato constante, a constância seria mais importante. Ela concorda que houve um exagero da ciência no passado, no sentido de hiper valorizar os efeitos do bilinguismo. “Ele, por si só, não transforma automaticamente uma criança em alguém mais inteligente”, afirma. “Além disso, a idade ajuda, mas não substitui um bom método. A qualidade do ensino pesa mais.”

Se, por um lado, crianças que começam cedo podem apresentar vantagens, principalmente em aspectos da pronúncia e percepção dos sons, por outro, pode haver alguns entraves. Acontece, por exemplo, de crianças criadas em ambientes bilingues demorarem mais a falar ou, não raro, falar misturando os dois idiomas, fenômeno chamado code-switching. “Em contextos de ensino escolar, mesmo em boas escolas de idiomas ou programas bilíngues, essa mistura costuma ser muito menos frequente justamente porque a exposição ao inglês é menor do que a exposição ao português. Na prática, a maioria das crianças continua tendo o português como língua dominante e utiliza o inglês principalmente nos contextos em que ele foi aprendido”, explica Bruna.

Isso ajuda a explicar por que não existe uma “idade perfeita” para começar. A infância oferece condições particularmente favoráveis para perceber e reproduzir sons de outro idioma, mas começar aos três anos não garante, por si só, uma aprendizagem melhor do que começar aos seis, sete ou oito.

Começar cedo pode ser uma vantagem. Não é, porém, uma corrida contra o tempo. Mais importante do que antecipar resultados é garantir contato consistente, ensino de qualidade e uma relação positiva com a língua — sem transformar o inglês em mais uma obrigação na infância.

 

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  • Começar cedo pode ser uma vantagem. Não é, porém, uma corrida contra o tempo.

    Começar cedo pode ser uma vantagem. Não é, porém, uma corrida contra o tempo.
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  • A infância oferece condições particularmente favoráveis para perceber e reproduzir sons de outro idioma

    A infância oferece condições particularmente favoráveis para perceber e reproduzir sons de outro idioma
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