Publicado em 20/05/2025 às 09h44 Brasil Saúde
O exame de vista não substitui a avaliação completa
Foto: divulgação
Consultas oftalmológicas regulares são fundamentais para prevenir e controlar problemas que comprometem a visão. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que mais de 35 milhões de pessoas apresentem algum grau de dificuldade visual, sendo que cerca de 900 mil já receberam o diagnóstico de glaucoma, uma das principais causas de cegueira no mundo, afetando aproximadamente 64,3 milhões de pessoas, número
O alerta se intensifica em 26 de maio com o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, que pode atingir mais de 111 milhões até 2040, segundo estimativas internacionais. Segundo a oftalmologista Carolina Gracitelli, do Vera Cruz Oftalmologia, em Campinas (SP), a doença é crônica, progressiva, silenciosa e compromete o nervo óptico, localizado no fundo do olho. “Na maioria dos casos, o glaucoma não causa dor, vermelhidão ou irritação. Os sintomas costumam surgir apenas em estágios avançados, quando há perda de visão — e essa perda é irreversível. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial”, afirma a especialista.
A especialista explica que principal causa da patologia é o aumento da pressão intraocular, que pode danificar o nervo óptico. Porém, existem outros fatores de risco, como: histórico familiar (parentes de 1º e 2º graus têm de 5 a 10 vezes mais chances de desenvolver); uso prolongado de corticoides; doenças sistêmicas, como diabetes e hipertensão; alterações na retina; e fatores genéticos e étnicos. “Quem tem familiares com glaucoma deve passar por avaliação oftalmológica com mais frequência. O uso de medicamentos como corticoides, mesmo em colírios, pode aumentar o risco e deve ser feito sempre com orientação médica”, orienta.
Carolina destaca que a única forma de detectar o glaucoma nas fases iniciais é por meio de consulta oftalmológica completa, que deve incluir: avaliação da acuidade visual; medição da pressão intraocular; exame do fundo de olho; avaliação do nervo óptico; e análise do histórico clínico e familiar. Em alguns casos, são solicitados exames complementares, como: gonioscopia – avalia a drenagem do líquido intraocular; retinografia – registra imagens do fundo do olho; campimetria visual – identifica perdas no campo de visão; e tomografia de coerência óptica (OCT) – mede a espessura das fibras nervosas, identificando sinais precoces da doença. “Esses exames detectam alterações antes mesmo de o paciente perceber qualquer perda visual”.
Embora o glaucoma não tenha cura, pode ser controlado. O tratamento é contínuo e tem como objetivo a estabilização, evitando a progressão da perda visual. As opções variam de acordo com cada caso, como o uso de colírios e medicamentos, tratamentos a laser e cirurgias, indicadas quando não há controle clínico com as demais alternativas. “Mesmo com o tratamento, a visão pode continuar se deteriorando. Por isso, é fundamental manter o acompanhamento médico regular”, reforça a médica.
Mais comum em adultos acima dos 40 anos, especialmente após os 60, a condição pode surgir em qualquer fase da vida e afetar pessoas de todas as idades, incluindo bebês e jovens. “Entre os principais tipos estão o glaucoma congênito, quando o bebê já nasce com a doença, apresentando olhos aumentados, sensibilidade à luz, córnea opaca e esclera azulada; o glaucoma infantil e juvenil que costuma ser mais agressivo e, na maioria das vezes, exige intervenção cirúrgica; e o glaucoma agudo, que provoca aumento súbito da pressão intraocular, com dor intensa, náuseas e vômitos, tornando-se uma emergência médica que requer atendimento imediato”, pontua.
Por fim, a especialista reforça um alerta importante: o exame de vista não substitui a avaliação completa: “Quando for ao oftalmologista, é essencial medir a pressão intraocular, fazer o exame de fundo de olho e passar por uma análise mais detalhada e meticulosa, com outros tipos de exames. Só assim conseguimos diagnosticar doenças como o glaucoma a tempo de preservar a visão”, conclui.
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