Publicado em 31/08/2026 às 11h50 Indaiatuba Saúde
Ana Claudia Servos Pitol, Fisioterapeuta Oncológica pelo A.C. Camargo Câncer Center e Acupunturista, CREFITO 3 58.510 F
Foto: Divulgação
Por: Ana Claudia Pitol
A radioterapia é uma importante aliada no tratamento do câncer e, assim como outras terapias oncológicas, pode provocar alterações no organismo que merecem atenção durante e após o tratamento. Nesse contexto, a Fisioterapia Oncológica tem papel importante na prevenção, identificação e cuidado dos possíveis efeitos colaterais, contribuindo para a recuperação, funcionalidade, bem estar e qualidade de vida do paciente.
A radioterapia utiliza radiação ionizante, como os raios X, para destruir células tumorais ou impedir sua multiplicação. Na radioterapia externa, o tratamento é realizado por meio de um acelerador linear, que direciona a radiação para a região do tumor. A dose e a área tratadas são cuidadosamente planejadas pela equipe especializada, de acordo com as características de cada caso. Durante a aplicação, o paciente não sente a radiação.
Mesmo com toda a tecnologia e precisão do tratamento, tecidos saudáveis próximos à região irradiada podem apresentar alterações. Esses efeitos variam conforme a localização do tumor, a dose utilizada, o tempo de tratamento e as características individuais de cada paciente.
É nesse cenário que o fisioterapeuta oncológico atua na prevenção e no tratamento de efeitos agudos ou tardios. Entre eles estão dores e limitações musculares, alterações de sensibilidade ou movimento, radiodermite, fibrose dos tecidos, trismo, que é a dificuldade para abrir a boca, incontinência urinária, linfedema, redução da mobilidade e fadiga relacionada ao câncer.
A avaliação fisioterapêutica pode ser realizada antes do início da radioterapia. Assim, é possível identificar riscos, estabelecer estratégias preventivas e acompanhar o paciente durante e após o tratamento. O objetivo é preservar a funcionalidade, minimizar efeitos colaterais, promover maior independência e orientar cuidados para as atividades do dia a dia.
As necessidades também mudam conforme a região tratada. Pacientes com câncer de mama podem receber orientações sobre exercícios, mobilidade dos braços e ombros e cuidados com a pele. Já nos tratamentos de cabeça e pescoço, o foco pode estar na mobilidade da região, cicatrizes e limitações funcionais.
Cada paciente possui necessidades próprias. Por isso, a conduta fisioterapêutica é individualizada. Entre os recursos utilizados, conforme avaliação profissional, estão exercícios terapêuticos, alongamentos, terapia manual e fotobiomodulação a laser, sempre respeitando a evolução e a resposta de cada paciente.
Mais do que cuidar dos aspectos físicos, a Fisioterapia Oncológica também envolve acolhimento e escuta ativa. Durante uma fase de tantas mudanças, esse acompanhamento pode ajudar o paciente a enfrentar o tratamento com mais segurança. Cuidar do movimento, da autonomia e da qualidade de vida também é parte do tratamento oncológico.
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