Publicado em 05/02/2026 às 15h20 Brasil Saúde
O estresse costuma ser tratado como algo emocional, passageiro ou inevitável da rotina moderna. No entanto, ele vai muito além de uma sensação psicológica. Trata-se de uma resposta fisiológica complexa, capaz de interferir diretamente no funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos.
“O estresse não é apenas emocional, ele é fisiológico. Ele age diretamente sobre o coração”, explica o médico Dr. Adriano Faustino, especialista em metabologia e medicina funcional e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina da Longevidade (SBML).
O que significa “estresse” para o corpo
Quando uma pessoa vive em constante estado de alerta, o sistema nervoso simpático é ativado repetidamente, elevando hormônios como cortisol e adrenalina. Isso causa aumento da pressão arterial, inflamação das artérias e dano ao endotélio — a camada interna dos vasos sanguíneos — onde se desenvolve o entupimento que precede o infarto.
“O coração não foi feito para viver em emergência permanente”, alerta o médico.
Como o estresse afeta diretamente o coração
Existem duas formas principais de impacto:
Reatividade crônica — leva a desgaste cardiovascular ao longo do tempo. A sobrecarga constante de hormônios do estresse eleva a pressão arterial e favorece inflamação e disfunção metabólica, condições associadas a maiores taxas de eventos cardíacos.
“O corpo não entende discurso. Ele entende hormônio, descarga química”, reforça Dr. Adriano Faustino.
Gatilhos agudos — episódios intensos de estresse podem funcionar como um “estopim”. A descarga abrupta de adrenalina pode causar espasmo das artérias coronárias, elevar de forma súbita a pressão arterial e desencadear um infarto, especialmente em pessoas com artérias já fragilizadas.
“Muitas vezes o infarto acontece depois de um choque emocional intenso, porque o coração já estava vulnerável”, explica o especialista.
Dados sobre doenças cardiovasculares e estresse
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Embora fatores tradicionais como hipertensão, sedentarismo e tabagismo sejam amplamente conhecidos, cresce o reconhecimento do papel do estresse e da saúde mental na prevenção cardíaca.
Estudos epidemiológicos internacionais mostram que indivíduos com altos níveis de estresse apresentam risco significativamente maior de eventos cardiovasculares, incluindo infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). O estresse psicossocial é hoje reconhecido como um fator de risco relevante para doença arterial coronariana.
“O coração não falha de repente. Ele se desgasta sob pressão constante até não suportar mais”, afirma Dr. Adriano Faustino.
Estresse e riscos associados confirmados pela ciência
Pesquisas sugerem que:
• Pessoas com estresse persistente apresentam maior probabilidade de desenvolver doença coronariana ao longo do tempo
• O estresse após um infarto está associado a maior risco de eventos cardíacos futuros
• A saúde mental — incluindo ansiedade e depressão — está fortemente conectada ao risco cardiovascular, influenciando processos inflamatórios e respostas hormonais
Estresse normalizado: por que isso é perigoso
Um dos maiores desafios da prevenção é a normalização do estresse. Muitas pessoas convivem diariamente com pressão extrema e a encaram como algo inevitável.
“A pessoa diz que está só sob pressão, no limite, aguentando firme. Mas o corpo cobra”, observa o médico.
O organismo não distingue estresse emocional de estresse físico. Em ambos os casos, há ativação hormonal capaz de desgastar o sistema cardiovascular.
Fatores que interagem com o estresse
O estresse também favorece comportamentos de risco que ampliam ainda mais o impacto no coração:
• Tabagismo
• Alimentação desequilibrada
• Sedentarismo
• Ganho excessivo de peso
Esses fatores, quando combinados ao estresse crônico, potencializam significativamente o risco de doenças cardiovasculares.
Prevenção começa pela gestão do estresse
Controlar o estresse não é luxo; é estratégia de prevenção cardiovascular. Técnicas de relaxamento, atividade física regular, sono adequado, acompanhamento psicológico e redução de fatores de risco comportamentais ajudam a diminuir a sobrecarga hormonal que afeta o coração.
“Tudo tem limite. O corpo sempre dá sinais antes de colapsar”, conclui Dr. Adriano Faustino.
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