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Dor neuropática em pacientes oncológicos desafia médicos do país

Cerca de 35% dos diagnosticados apresentam o sintoma ao longo do tratamento da doença

 Publicado em  05/06/2026 às 13h07  Indaiatuba  Saúde


Dra. Lunizia Mattos Mariano, Neurologista, CRM 194.282 SP / RQE 113.954

Dra. Lunizia Mattos Mariano, Neurologista, CRM 194.282 SP / RQE 113.954
Foto: Divulgação

A dor neuropática é uma das complicações mais desafiadoras enfrentadas por pacientes em tratamento contra o câncer. Diferente de uma dor comum, ela surge quando há lesão ou alteração nos nervos, podendo ser causada tanto pelo próprio tumor quanto pelos tratamentos utilizados no combate à doença, como quimioterapia, radioterapia e cirurgias.
Na prática clínica, é frequente que pacientes oncológicos relatem sintomas como formigamento, queimação, choques, dormência, coceira intensa e sensação de agulhadas, principalmente nas mãos e nos pés. Em muitos casos, esses sintomas acabam interferindo diretamente em atividades simples do dia a dia, como caminhar, segurar objetos, dormir ou até vestir uma roupa.
Estudos recentes apontam que entre 30% e 40% dos pacientes com câncer apresentam algum tipo de dor neuropática ao longo da doença. Esse quadro pode ocorrer por compressão de nervos pelo tumor, infiltração de estruturas nervosas ou pelos efeitos tóxicos de determinados medicamentos quimioterápicos sobre o sistema nervoso.
Um dos grandes desafios é justamente identificar corretamente esse tipo de dor. Muitas vezes, o paciente acredita que os sintomas fazem parte “normal” do tratamento e demora para buscar ajuda especializada. Atualmente, existem ferramentas específicas que auxiliam os médicos na identificação da dor neuropática, permitindo diferenciar dores musculares ou inflamatórias daquelas causadas por lesões nos nervos.
O tratamento também exige atenção individualizada. Embora os opioides sejam amplamente utilizados no controle da dor oncológica, eles nem sempre apresentam a mesma eficácia quando a origem da dor é neuropática. Isso acontece porque os mecanismos envolvidos são extremamente complexos e variam de paciente para paciente.
Estudos recentes investigam medicamentos capazes não apenas de aliviar os sintomas, mas também de proteger os nervos contra os danos provocados pela quimioterapia. Entre os mecanismos estudados estão processos relacionados ao estresse oxidativo, neurotransmissores, receptores neurológicos e até o sistema endocanabinoide.
Além dos medicamentos, estratégias complementares vêm ganhando destaque no tratamento da neuropatia periférica induzida pela quimioterapia. Exercícios de fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e fisioterapia especializada têm mostrado resultados positivos na redução da dor e na melhora da qualidade de vida dos pacientes.
Pesquisas envolvendo pacientes em uso de quimioterápicos como paclitaxel e carboplatina demonstraram que programas de reabilitação física podem ajudar não apenas no controle dos sintomas, mas também na recuperação funcional e no equilíbrio corporal.
Reconhecer precocemente os sinais da dor neuropática e buscar acompanhamento especializado faz toda a diferença para reduzir o sofrimento e proporcionar mais conforto e autonomia aos pacientes.

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  • Dra. Lunizia Mattos Mariano, Neurologista, CRM 194.282 SP / RQE 113.954

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