Publicado em 19/06/2026 às 11h01 Indaiatuba Saúde
Dr. Raul Alcalá - Hematologista - CRM SP 214.170 - RQE 146.300
Foto: Divulgação
Por: Dr. Raul Alcalá
O último domingo (14), foi celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue. Instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2005, a data visa conscientizar sobre a importância da ação e homenagear os milhões de voluntários que ajudam a salvar vidas. A iniciativa busca reforçar a necessidade de manter os estoques dos hemocentros abastecidos durante o ano, já que a demanda por sangue é constante e não depende apenas de situações de emergência.
É comum associarmos a doação a vítimas de acidentes, traumas graves ou pacientes submetidos a grandes cirurgias. Mas, existe um grupo de pacientes que também necessita de transfusões e que muitas vezes passa despercebido: aqueles em tratamento contra o câncer e os submetidos ao transplante de medula óssea.
A quimioterapia tem como principal função destruir as células cancerígenas e impedir sua multiplicação. Contudo, no processo, a medula óssea — responsável pela produção das células do sangue — pode ser afetada. Como consequência, muitos pacientes desenvolvem anemia importante, condição que provoca cansaço intenso, falta de ar, palpitações e redução significativa da qualidade de vida. Em alguns casos, a anemia pode ser tão grave que compromete a continuidade do tratamento, tornando necessária a realização de transfusões de concentrado de hemácias.
Além da diminuição dos glóbulos vermelhos, a medula comprometida passa a produzir menos plaquetas, aumentando o risco de sangramentos, e menos leucócitos, células fundamentais para a defesa do organismo contra infecções. Dessa forma, pacientes oncológicos frequentemente dependem não apenas da transfusão de sangue, mas também da transfusão de plaquetas, essenciais na prevenção e no controle de hemorragias.
Situação semelhante ocorre nos pacientes submetidos ao transplante de medula óssea. Antes de receberem as células-tronco que irão reconstruir sua produção sanguínea, eles passam por tratamento intenso que temporariamente interrompe o funcionamento da medula, ficando vulneráveis à anemia, aos sangramentos e às infecções, necessitando de suporte transfusional.
Por isso, cada doação faz diferença. Uma única bolsa de sangue pode beneficiar mais de um paciente, pois seus componentes são separados e utilizados conforme a necessidade de cada tratamento. Doar sangue é um gesto simples, seguro e capaz de transformar vidas. O processo segue rigorosos protocolos de segurança e não oferece riscos ao doador. Para quem recebe, porém, essa atitude pode representar a continuidade de um tratamento, a recuperação de uma cirurgia ou até mesmo a chance de sobreviver.
Quem doa sangue oferece mais do que um componente biológico: oferece esperança, tempo e uma nova oportunidade para quem enfrenta uma doença grave. Em muitos casos, uma única doação pode ser a diferença entre interromper ou prosseguir um tratamento que salva vidas.
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