Publicado em 04/06/2021 às 19h02 Elias Fausto Educação
Denise Katahira
Desde março do ano passado, estudantes e escolas tiveram que se adaptar a nova forma de aprender e ensinar devido a pandemia da Covid-19. Diversos sistemas foram criados ao longo de 2020, e as aulas que antes eram em sala de aula, agora são através do computador.
Mas o que podemos esperar da educação em 2021? “O maior desafio para escola e aluno é a instabilidade, a incerteza no formato das aulas. Com a flutuação de medidas para conter a Covid, questão de vacinas e lockdowns repentinos será dificílimo conseguir estabelecer uma rotina concisa de estudos. Estudar requer rotina, sem dúvida e este será o grande ponto que as escolas devem pensar”, enfatiza a especialista em educação, Janaína Spolidorio.
Um segundo desafio, igualmente preocupante, é a lacuna de aprendizagem que os alunos enfrentarão no retorno. Independentemente de como tenha sido o ensino, a questão do remoto tem impacto na vivência. “É comprovado cientificamente que nossas vivências formam nossas memórias e nossas memórias são responsáveis pela aprendizagem. Sem vivência, portanto, não há memória relevante, sem memória a aprendizagem deixa de acontecer como deveria e temos a preocupação que pode ainda se arrastar por anos para recuperar: a perda do que o aluno deveria ter aprendido naquele momento”, afirma.
Ensino híbrido
Quando houver o retorno às aulas presenciais uma das medidas adotadas pelas escolas será o rodízio entre os alunos, que já ocorreu, e com isso os alunos não precisam ir presencialmente à sala de aula todos os dias, sendo alternado com o ensino remoto. Janaína explica que para esse tipo de ensino é necessário que primeiro o profissional saiba lidar com a alternância.
“Sem o professor conhecer modalidades de ensino e suas características não há como compreender ou mesmo aplicar o chamado Ensino Híbrido. É preciso conhecer os limites da escola e da comunidade para ver quais ferramentas de cada modalidade de ensino utilizada serão utilizadas no modelo da escola”, explica Janaína. “Comunicar a família do formato faz parte do papel da escola e do professor. Ambos devem falar a mesma linguagem para não haver controvérsias ou problemas”.
A necessidade do uso de ferramentas tecnológicas ficou evidente. Não há mais como negar que as escolas devam abrir as portas a elas, porém as crianças que utilizaram estarão estafadas com elas na mesma medida. “Será preciso encontrar um equilíbrio e a pandemia trouxe não apenas a necessidade de equilibrar recursos antigos com os novos como também a urgência em o professor estudar a neuroeducação”, disse a especialista. “Este tema, em especial, pode ser a chave para que a pedagogia consiga dar conta de grande parte da defasagem que irá aparecer”.
Desigualdade
Uma das perguntas é como enfrentar as desigualdades de estrutura escolar e de aprendizado entre os alunos? De acordo com Janaína é primordial a comunicação, pois sem ela não há outro meio de enfrentamento. Ela salienta que os alunos com dificuldade de estarem conectados podem ter o auxílio da escola neste momento, porém família e escola devem se ajudar, devem ser companheiros nesta missão. E quando se pensa em escola, é necessário que se pense primeiro em estrutura de recurso, pois o ensino acontece de pessoas para pessoas no caso acadêmico.
“Este é nosso modelo humano. Não lidamos com aprendizado de máquina que é outra história. O foco, portanto, é o modo como orientar os pais, a parceria que se consegue com a comunidade, o diálogo que possibilita a solução de problemas de formas mais viáveis para todos”, pontua.
Evasão escolar
Segundo a especialista em educação, muito provavelmente será preciso fazer campanhas de conscientização da população, pois muitas vezes a escola é mal entendida porque a própria instituição responsável por formar se esquece da formação mais ampla: a da comunidade escolar. Se a família e o aluno não conseguem enxergar os benefícios da escola pode haver evasão. Os motivos que fazem a escola ser necessária à sociedade devem ser salientados a todo o momento.
Novos tempos exigem novas medidas
Ficamos sempre muito presos a modelos antiquados e burocracias que vão além da compreensão. A carga horária é uma delas. Muito se fala em cumprimento de carga horária e muito pouco em qualidade. “Se tivéssemos qualidade certamente não seria preciso "prender" criança e profissional a dias, pois quantidade não reflete qualidade”, afirma Janaína.
Conteúdo é outro tema já mofado que a escola carrega. O que os alunos "perderam" não foram conteúdos, foi na verdade a oportunidade de aprofundar suas habilidades. “Informações encontramos no Google, competências e habilidades não”, enfatiza.
Rever o papel da educação será primordial para garantir a retomada dos estudos, cumprindo o ano letivo de modo a recuperar aprendizagens e conseguir dar conta do ano em questão.
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