Publicado em 12/06/2026 às 11h25 Indaiatuba Saúde
Michele Sigueoka, CRF 28.040, Farmacêutica Oncologista e de Pesquisa Clínic
Foto: Divulgação
Por: Michelle Sigueoka
Ao iniciar um tratamento oncológico, poucos pacientes imaginam o que aconteceu antes daquele medicamento chegar até ali. Por trás de cada prescrição existe uma história com muita pesquisa, testes e acompanhamento científico.
Tudo começa nos laboratórios, onde novas moléculas são estudadas para entender se realmente têm potencial no combate ao câncer. São avaliados mecanismos de ação, segurança e possíveis benefícios terapêuticos. A maioria das substâncias não avança e apenas aquelas com resultados consistentes seguem ensaios clínicos com pacientes.
Nesse momento, é comum o receio de “ser usado como cobaia”. No entanto, é aí que entram protocolos rigorosos de pesquisa clínica, estruturados para garantir segurança, ética e acompanhamento contínuo. Esses estudos seguem assim:
Fase I — Segurança e dose ideal (1° contato da medicação com pacientes. Avaliamos a segurança, efeitos adversos e definimos a dose segura).
Fase II — Sinais de eficácia (os pesquisadores começam a observar se o medicamento realmente funciona contra determinado tipo de tumor).
Fase III — Comparação com o tratamento padrão (o novo medicamento é comparado com o tratamento já existente. Participam centenas de pacientes em diversos centros de pesquisa no mundo).
Fase IV — Vida real (mesmo após a aprovação pelas agências regulatórias, o medicamento continua sendo monitorado em larga escala para avaliar efeitos a longo prazo).
Esse processo leva anos. Somente após demonstrar benefício real e seguro o medicamento pode ser aprovado. A escolha do tratamento é feita pelo Médico Oncologista com base nos tipos e estágio do tumor, perfil molecular da doença, evidências científicas mais recentes, protocolos internacionais e condições clínicas do paciente.
A partir daí, começa o trabalho da Equipe Multidisciplinar, em que cada profissional, dentro do seu papel, conduz com maestria a rotina com o paciente. Ao farmacêutico oncológico, conferir o cálculo das doses, avaliar interações medicamentosas e checar os protocolo. Além disso, esse profissional estuda detalhes que fazem diferença na segurança da terapia, como o diluente mais adequado, ordem de infusão de acordo com o protocolo e a necessidade de pré-medicações para prevenir reações. Em alguns casos, é preciso avaliar ainda a compatibilidade entre medicamentos e a necessidade de lavagem de linha após a infusão.
No dia a dia da oncologia, isso significa transformar conhecimento científico em cuidado real. É o resultado de anos de ciência, validação clínica e, principalmente, da responsabilidade de profissionais que atuam diariamente para transformar conhecimento em segurança e o cuidado real.
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