Publicado em 10/04/2026 às 11h37 Indaiatuba Saúde
ra. Nathalia Salione, CRM 163.046
Foto: Divulgação
Por: DRA. NATHALIA SALIONE
O termo “cuidados paliativos” ainda carrega um peso que não lhe pertence. No imaginário comum, ele costuma ser associado apenas ao fim ou à ausência de recursos. Mas a realidade médica é o oposto: paliar não é desistir, é reafirmar a vida com dignidade, oferecendo suporte para que o paciente viva da melhor forma possível, independentemente do estágio da sua enfermidade.
Muito além do tabu, uma das perguntas que mais ouvimos no consultório é: “Doutora, isso significa que não há mais o que fazer?”. A resposta é um convite à mudança de perspectiva. Quando entramos com a abordagem paliativa, passamos a cuidar com ainda mais intensidade. Mais do que tratar o diagnóstico, passamos a cuidar da pessoa de forma integral, respeitando seus valores e sua história.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cuidados paliativos são uma abordagem multidisciplinar para melhorar a qualidade de vida de pacientes (adultos e crianças) e suas famílias que enfrentam doenças graves , progressivas e ameaçadoras da vida. O objetivo central é dar vida aos dias, e não apenas adicionar dias à vida.
Um olhar para o ser humano integral. O sofrimento nunca é apenas físico. Por isso, o cuidado se estende a frentes que a medicina tradicional, por vezes, deixa em segundo plano: o conforto físico (alívio da dor), o suporte emocional, a espiritualidade e o acolhimento à família, que também precisa de amparo durante toda a jornada.
Quando começar? Ao contrário do que dita o senso comum, os cuidados paliativos devem ser aplicados desde o diagnóstico de doenças graves, caminhando lado a lado com tratamentos que buscam a cura ou o controle da doença. Estar em cuidados paliativos significa garantir que o bem-estar e os valores do paciente sejam a prioridade em cada etapa.
E não menos importante é sobre tratar e cuidar também da morte como um processo natural, dando todo o suporte e conforto nessa fase, valorizar cada momento da existência com autonomia e serenidade.
Paliar não é desistir, mas cuidar ativamente da qualidade de vida e garantir conforto em todas os estágios da doença.
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