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Como lidar com as mudanças iniciais diante do diagnóstico de câncer?

Entender o diagnóstico e contar com apoio faz toda diferença no início do tratamento do câncer

 Publicado em  22/05/2026 às 11h20  Indaiatuba  Saúde


Dra. Camila Nassif Ferreira Brito, Oncologista clínica, CRM-SP 151048, RQE 129801

Dra. Camila Nassif Ferreira Brito, Oncologista clínica, CRM-SP 151048, RQE 129801
Foto: Divulgação

Por: DRA . CAMILA N. F. BRITO

Receber um diagnóstico de câncer toca profundamente o ser humano. Pode mudar a percepção de tempo, de rotina e de futuro. O primeiro ano costuma ser o mais intenso em vivências pois envolve decisões, exames frequentes, início de tratamento e um volume emocional que muitas pessoas nunca haviam experimentado nesta intensidade.
Podemos observar, segundo a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross cinco padrões de comportamento: negação, aceitação, raiva, tristeza e barganha.
A tristeza é frequente. Pode vir acompanhada de apatia e desânimo. Essa fase merece atenção especial, se não valorizada pode impactar inclusive o andamento e adesão ao tratamento. 
Alguns pacientes se culpam, seja por terem adiado a procura por ajuda, ou  sintomas que ignoraram. Outros negam o diagnóstico e desaparecem por um tempo ou buscam tratamentos alternativos sem comprovação científica. Aceitar a doença é essencial para atravessar essa fase da maneira mais segura e acolhedora. É fundamental entender o diagnóstico, compreender o tratamento proposto e participar das decisões de forma consciente. 
Muitos pacientes imaginam que o tratamento seguirá um roteiro único e previsível. No entanto, cada decisão é baseada em características específicas do tumor e do paciente. Isso acontece porque os tumores são diferentes. A equipe médica avalia tamanho, grau, extensão, forma de apresentação e, em alguns casos, mutações genéticas que poderão orientar terapias específicas.
O primeiro ano após o diagnostico de câncer costuma ser atravessado por três elementos centrais: angústia, incerteza e mudança. O medo do desconhecido é inevitável, ele pode existir mas não precisa conduzir suas decisões. Cada paciente terá uma jornada única nesta vivência, nem sempre conseguimos prever resposta ou resultado. A mudança vem porque cria-se uma nova agenda de cuidados, consultas, exames e acompanhamentos. Para alguns, uma nova rotina sem sobreaviso que exige inclusive afastamento temporário do trabalho e maior dedicação ao cuidado pessoal. Para outros, é possível manter a rotina habitual.
A rede de apoio tem sua importância neste processo. O apoio emocional genuíno vem do ouvir, do respeitar e do dividir, sem invadir. Gestos práticos de cuidado falam muito mais que conselhos prontos. A presença amorosa e respeitosa já é suficiente na maioria das vezes. O apoio psicológico é uma ferramenta fundamental para validarmos os sentimentos e potencializar a força interior do paciente para o seu enfrentamento.
A medicina não existe apenas para conduzir tecnicamente protocolos, existe para guiar pessoas em momentos de vulnerabilidade com ciência, responsabilidade e humanidade. As vezes o primeiro passo do tratamento não precisa ser perder o medo, mas sim entender que haverá alguém preparado para caminhar com você durante.

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  • Dra. Camila Nassif Ferreira Brito, Oncologista clínica, CRM-SP 151048, RQE 129801

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