Publicado em 21/08/2026 às 11h30 Indaiatuba Saúde
Ana Lúcia Bordini, Nutricionista Oncológica, CRN3 12334
Foto: Divulgação
Por: Ana Lúcia Bordini
Nos últimos anos, os medicamentos que atuam sobre o GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, ganharam popularidade. Entre eles estão a semaglutida e a liraglutida, utilizadas principalmente no tratamento do diabetes e da obesidade.
Mas será que também podem ter relação com o câncer? A resposta, neste momento, é: ainda não sabemos.
Ainda não há evidências suficientes de que esses medicamentos previnam ou tratem o câncer, mas os resultados são promissores, especialmente diante da relação entre excesso de peso e alguns tipos de câncer.
Um estudo observacional de 2025, com mais de 170 mil pessoas com diabetes e obesidade, observou menor ocorrência de alguns cânceres relacionados ao excesso de peso entre usuários de “canetas emagrecedoras”, com destaque para o câncer de intestino.
Em 2026, outro estudo observacional mostrou que, em pessoas com câncer de pulmão, mama, intestino e fígado, o uso desses medicamentos esteve associado a menor ocorrência de metástase em determinados tumores.
Mas observar uma associação não significa provar que uma coisa causou a outra. Esses estudos não demonstram que os medicamentos emagrecedores tenham ação direta contra as células cancerígenas. Parte dos resultados pode estar relacionada à redução do excesso de peso e à melhora do controle metabólico. Ainda são necessários estudos clínicos mais rigorosos.
E pacientes com obesidade que já estão em tratamento contra o câncer podem usar as “canetas”?
Aqui existe um ponto especialmente importante: emagrecer nem sempre é uma coisa boa.
Durante o tratamento, precisamos preservar músculos, garantir proteínas e energia e evitar perda excessiva de peso e força. Uma perda de peso rápida, principalmente com perda de massa muscular, pode piorar o estado nutricional e comprometer o tratamento oncológico. O cuidado deve ser ainda maior em pacientes com perda de peso involuntária, baixa massa muscular ou falta de apetite.
Além disso, os efeitos do tratamento podem se somar aos dos medicamentos emagrecedores, aumentando náuseas, vômitos, saciedade precoce e redução do apetite. Em alguns pacientes, isso pode contribuir para perda de massa magra e piora do estado nutricional.
A decisão de iniciar, manter ou suspender o uso das “canetas emagrecedoras” deve ser personalizada e acompanhada pelo oncologista, que avaliará o diagnóstico, o tratamento, estado nutricional e sintomas.
Enquanto as pesquisas avançam, cada paciente precisa ser cuidado de forma individualizada.
No Grupo Onco, a Nutrição Oncológica atua junto com o médico e avalia
alimentação, sintomas, composição corporal e funcionalidade dos pacientes.
Informação de qualidade também faz parte do cuidado.
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