Publicado em 01/07/2026 às 15h12 Indaiatuba Variedades
Foto: Divulgação
Por: Flávia Girardi
Ela aprendeu a dar conta. Aprendeu cedo demais, talvez. A ser forte, a antecipar problemas, a perceber o clima antes mesmo que alguém dissesse qualquer coisa. Aprendeu a cuidar dos outros, das situações, das ausências.
Hoje, é uma mulher admirada. Funciona. Entrega. Resolve. Mas, em silêncio, existe uma pergunta que insiste: por que, mesmo fazendo tudo, eu ainda me sinto fora de mim?
Foi dessa pergunta — repetida em diferentes vozes, mas sempre com o mesmo fundo — que Ines Martins começou a estruturar o que hoje chama de Distorção de Identidade.
“Essas mulheres não estão perdidas”, ela diz, com a calma de quem já escutou muitas histórias parecidas. “Estão vivendo uma versão de si que foi construída para sobreviver — não para ser.”
Aos olhos de fora, tudo parece no lugar. Por dentro, uma exaustão difícil de explicar. Marina (nome fictício), 40 anos, descreve assim: “Eu não sabia mais descansar. Descansar me dava culpa. Era como se eu só tivesse valor quando estava resolvendo alguma coisa. E mesmo assim, nunca era suficiente.”
O que Ines percebeu, ao longo de 26 anos de escuta clínica, é que essa sensação não nasce no presente. Ela começa muito antes. Na infância, quando ainda não temos linguagem emocional, nem filtro — tudo o que vivemos vira verdade. Não interpretação: verdade.
E é ali que frases não ditas em voz alta, mas profundamente sentidas, começam a se instalar:
eu preciso dar conta sozinha
eu não posso falhar
amor exige esforço
descansar é perigoso
O tempo passa. A vida avança.
Mas a identidade que se formou ali, silenciosa, invisível continua operando. “E aí a mulher tenta mudar comportamento, rotina, pensamento…”, explica Ines. “Mas a raiz continua intacta. Por isso a sensação de estar sempre voltando para o mesmo lugar.”
OS PADRÕES
A dor, quando ganha nome, deixa de ser destino
Não chega de forma óbvia. A distorção de identidade não se apresenta como algo claro, nomeado. Ela aparece disfarçada de traço de personalidade, de jeito de ser, de “eu sempre fui assim”. Mas, ao observar padrões que se repetiam entre mulheres com histórias completamente diferentes, Ines começou a identificar uma estrutura. Sete caminhos possíveis.
Sete formas de adaptação que, um dia, fizeram sentido — mas que hoje aprisionam.
“Quando a mulher reconhece o padrão, algo muda”, ela diz. “Porque pela primeira vez ela entende que não é ela. É o que aconteceu com ela.”
E então, a dor começa a ganhar contorno.
Abandono emocional
Não é necessariamente a ausência física. Às vezes, o corpo estava ali — mas o afeto não. E a criança aprende a não depender.
Inversão de papéis
Quando cuidar deixa de ser escolha e vira função. A infância se encurta. A responsabilidade chega antes do tempo.
Vínculos afetivos tóxicos
O amor observado não acolhe — machuca. E, sem referência, a dor passa a ser confundida com vínculo.
Integridade invadida
Quando limites são atravessados — de forma física, emocional ou simbólica — o corpo aprende a viver em alerta.
Luto não completado
Há perdas que não terminam. Ficam suspensas, silenciosas, ocupando espaços que nunca foram elaborados.
Merecimento e culpa
Crescer dói — não pelo crescimento em si, mas pela sensação de estar se afastando de quem ficou.
Sabotagem no sucesso
Quase. Sempre quase. Como se chegar tivesse um preço alto demais, mesmo que ninguém saiba exatamente qual é.
O CASO DE ANA
Ana tinha 42 anos quando percebeu que entender não era o mesmo que transformar.
“Eu sabia de tudo. Já tinha feito terapia, cursos, lido livros. Mas minha vida continuava igual.”
Ela carregava dois padrões: inversão de papéis e culpa por merecer.
“Eu não conseguia parar. E quando algo dava certo, eu me sentia mal. Como se estivesse traindo alguém.”
O processo com Ines não trouxe uma “nova versão”.
Trouxe reconhecimento.
“Eu não virei outra pessoa. Eu parei de ser quem eu não era.”
O MÉTODO
Não é sobre mudar. É sobre voltar.
Existe uma ideia silenciosa — e muito difundida — de que é preciso se reinventar. Ser melhor. Mais forte. Mais equilibrada. Mais resolvida. Mas, para Ines, essa lógica carrega um erro de origem.
“Você não precisa se tornar alguém”, ela diz. “Precisa parar de sustentar quem nunca foi.”
O método que ela desenvolveu, chamado Resgate Original, não começa pelo comportamento.
Começa pela identidade. E se organiza em três movimentos: não como etapas rígidas, mas como travessias. Primeiro, o despertar. O momento em que a mulher reconhece o padrão, identifica de onde vem, e talvez pela primeira vez se vê com clareza.
Depois, a transformação. Aqui, o trabalho desce para um lugar mais profundo: o subconsciente. É onde a história foi registrada sem filtro, e onde ainda continua ativa. “Não é sobre lembrar”, explica.
“É sobre ressignificar o que ficou congelado.”
Por fim, o empoderamento — não no sentido ruidoso da palavra, mas no mais silencioso possível: o de voltar a escolher. Sem automatismo. Sem repetição. Sem aquele impulso que parece vir de um lugar que não se explica.
DESTAQUE
"Eu vi mulheres incríveis acreditando que eram insuficientes. E entendi: não era falta de capacidade. Era identidade distorcida. Quando isso se reorganiza, a vida acompanha."
— Ines Martins
Há algo sutil que, segundo ela, marca o momento em que o processo acontece de verdade.
Não é euforia. Não é virada brusca. É reconhecimento. “É quando ela se olha e não precisa mais se convencer de nada.”
O MOVIMENTO SILENCIOSO DE QUEM DECIDE VOLTAR PARA SI
Nem sempre a mudança começa com um plano. Às vezes, começa com um incômodo difícil de ignorar. Com a sensação de que, apesar de tudo estar funcionando, algo essencial ficou para trás.
Foi desse lugar que nasceu o Movimento das Corajosas. Não como um grupo. Mas como um espaço de identificação. “Tem mulheres que ainda nem sabem que carregam esses padrões”, diz Ines.
“Mas elas sentem.”
E sentir, nesse caso, é o primeiro sinal. Em 2026, ela amplia esse alcance. Cria caminhos mais acessíveis, ferramentas que chegam antes mesmo do atendimento como quem abre uma porta para quem ainda está do lado de fora da própria história.
Mas, no centro de tudo, permanece o mesmo princípio: ninguém está quebrada. O que existe são camadas. Histórias que foram incorporadas cedo demais. Papéis que ficaram grandes demais. Versões que foram necessárias, mas que não precisam mais continuar.
No fim, o trabalho não é sobre consertar. É sobre lembrar. E talvez seja por isso que tantas mulheres, ao final do processo, não descrevem transformação. Descrevem retorno. “Eu voltei para mim”, elas dizem. E, dessa vez, ficam.
INES MARTINS
Terapeuta e hipnoterapeuta clínica com 26 anos de experiência
Especialidade:
Traumas femininos e ressignificação emocional
Método:
Resgate Original
Atendimentos:
Individual (presencial e online) e em grupo
Contato:
WhatsApp: (19) 9 9131-5066
E-mail: [email protected]
Instagram: @inesmartins.oficial
Movimento das Corajosas:
Comunidade em expansão para 2026, com foco em democratizar o acesso ao conhecimento emocional
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