Publicado em 09/09/2026 às 08h00 Indaiatuba Saúde
Kátia Cristina Gurizam Barbosa Emmanoel – Psicóloga Oncológica CRP 57685/6
Foto: DIVULGAÇÃO
Quando alguém recebe o diagnóstico de câncer, uma mudança silenciosa costuma acontecer antes mesmo do início do tratamento. O nome da doença passa a ocupar um espaço tão grande que, muitas vezes, a pessoa deixa de ser reconhecida por quem sempre foi. O professor torna-se “o paciente”. A mãe passa a ser “o caso do quarto 12”. O empresário transforma-se em “o portador de um tumor”. Sem perceber, todos começam a falar sobre a doença, enquanto a história de quem a carrega vai ficando em segundo plano.
A psico-oncologia convida a romper essa lógica. Ela propõe um olhar capaz de enxergar o ser humano antes de enxergar o diagnóstico. Afinal, o câncer invade células, mas não apaga memórias, afetos, talentos, sonhos ou valores. A pessoa continua sendo alguém que ama, sente medo, faz planos, ri de determinadas piadas, guarda lembranças da infância e mantém vínculos que dão sentido à própria existência.
Essa perspectiva muda profundamente a forma de cuidar. Em vez de perguntar onde dói, passa-se a perguntar o que preocupa, o que fortalece, o que dá esperança e quais perdas são mais difíceis de suportar. Muitas vezes, o maior sofrimento não está relacionado ao tratamento em si, mas ao receio de deixar de exercer papéis que sempre definiram aquela identidade: cuidar dos filhos, trabalhar, manter a autonomia ou sentir-se útil.
Curiosamente, o adoecimento também pode revelar aspectos que permaneceram escondidos durante anos. Algumas pessoas descobrem uma capacidade de adaptação que desconheciam. Outras passam a valorizar relações antes negligenciadas. Há quem encontre novos significados para o tempo, para o silêncio e para as pequenas conquistas diárias. Isso não significa romantizar o câncer ou minimizar a dor. Significa reconhecer que o ser humano possui uma extraordinária capacidade de reconstruir sentidos, mesmo diante das experiências mais difíceis.
Nesse processo, o profissional de saúde deixa de ser apenas alguém que oferece tratamentos e passa a ser também uma presença que legitima sentimentos, acolhe dúvidas e reconhece a singularidade de cada história. O cuidado torna-se um encontro entre pessoas, e não apenas entre técnicas e protocolos.
Talvez essa seja uma das maiores contribuições da psico-oncologia, lembrar que nenhuma imagem de tomografia, nenhum exame laboratorial e nenhum prontuário são capazes de contar, sozinhos, a história de uma vida. Por trás de cada resultado existe alguém que continua desejando ser visto e reconhecido pelo nome, pela trajetória construída ao longo dos anos e pela dignidade que nenhuma doença é capaz de retirar.
O Grupo Onco perpetua em nossa região esse compromisso que une a ciência e a sensibilidade, transformando o tratamento em cuidado com amor, investindo nos melhores profissionais e na tecnologia mais moderna, sobretudo cumprindo seu compromisso com a preservação da humanidade e dignidade de quem enfrenta essa experiência.
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