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Colunistas / Jéssica Pinheiro

Quando o amor vira tempestade

Postado em 12/02/2026 às 10h19


Reler O Morro dos Ventos Uivantes depois de adulta foi quase como encontrar uma versão antiga de mim mesma.Na adolescência, eu li achando que era uma grande história de amor.Hoje, lendo de novo, fiquei… assustada.Não no mau sentido  mas naquele tipo de susto que vem quando a gente percebe que amadureceu.Heathcliff e Catherine não vivem um romance leve. Eles vivem algo bruto. Intenso. Descontrolado. Um amor que não sabe parar, que invade tudo, que machuca quem está perto. Talvez, nos dias de hoje, a gente chamasse isso de obsessão, dependência emocional ou vínculos profundamente mal resolvidos.E é aí que o livro cresce.Porque ele não fala só de amor romântico.

Ele fala de relações familiares atravessadas por abandono, orgulho, silêncio e ressentimento. Fala de crianças que crescem sem afeto suficiente. De adultos que nunca aprenderam a amar sem ferir. De como traumas passam de geração em geração como herança invisível.

O que mais me impressiona é como a autora escreve sentimentos sem maquiagem. Nada é bonito o tempo todo. Não há personagens completamente bons. Não há vilões simples. Só pessoas quebradas tentando sobreviver às próprias emoções.

E talvez isso seja o mais moderno do livro.A escrita é visceral. Você sente raiva, tristeza, empatia e desconforto quase ao mesmo tempo. É o tipo de leitura que te obriga a parar em alguns trechos e pensar: isso aqui também acontece na vida real.

Pouca gente lembra, mas escrever esse livro não foi fácil. Emily viveu em uma época em que mulheres quase não tinham voz literária, publicou sob pseudônimo masculino e recebeu críticas duras. Sua obra foi considerada “selvagem”, “exagerada”, “imprópria”. Hoje, a gente chama isso de genialidade. Na época, chamaram de escândalo.

Talvez porque ela ousou mostrar o que muita gente prefere esconder: que amar também pode ser destrutivo quando não existe maturidade emocional.O mais bonito (e doloroso) dessa releitura é perceber como o livro muda conforme a gente muda. O que antes parecia paixão arrebatadora, hoje soa como falta de limites. O que antes era romantizado, agora pede reflexão.

E essa é a magia da literatura: ela cresce junto com a gente.Fica aqui meu convite para você reler ou ler pela primeira vez e observar suas próprias relações enquanto percorre essas páginas. Amor, família, escolhas, feridas antigas… tudo está ali, pulsando.

E se você quiser viver essa história de outro jeito, aproveito para te convidar para nossa sessão exclusiva do Páginas na Tela, no dia 05/03, às 19h, no Topázio Shopping Jaraguá. Vamos assistir, conversar e mergulhar juntos nesse clássico que não envelhece.

Porque livros não mudam.Quem muda somos nós.



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