Postado em 23/01/2026 às 14h09
Vou falar uma coisa que talvez doa um pouquinho, mas faz parte:a gente tem um talento especial no Brasil pra não valorizar o que é nosso.
Não é só sobre música, comida, cultura… é também sobre livro.Sobre autor brasileiro.Sobre história escrita com nosso sotaque, nosso caos, nossa fé, nossas contradições.E eu sempre acho curioso como a gente se emociona com histórias estrangeiras que são incríveis, sim mas trata a literatura brasileira como se fosse obrigação escolar, quando na verdade ela é um espelho.
Às vezes um espelho lindo.
Às vezes um espelho desconfortável.
Mas ainda assim: espelho.
E foi exatamente isso que eu senti lendo A Cabeça do Santo.Esse livro tem uma coisa que eu amo: ele não tenta parecer “importado”.Ele é brasileiro com orgulho.
Com humor ácido.Com tristeza escondida no meio do riso.Com fé, promessa, conversa de rua, casa simples, desejo, dor e aquele realismo mágico que a gente vive fingindo que não existe… mas existe.
Quando comecei a leitura, eu não apenas li.Eu vi Juazeiro do Norte.Sabe quando você tá lendo e o cenário começa a aparecer na sua cabeça com detalhes, como se você tivesse sido teletransportada? Foi isso.
Eu peguei Juazeiro como referência: as moradias, as falas, o jeito de existir, o calor humano, o calor climático e o calor emocional porque no Nordeste tudo parece mais intenso, até o silêncio.
E aí entra um detalhe que dá ainda mais peso pra leitura: Padre Cícero. O Padim Ciço.Pra quem não conhece, Padre Cícero é mais do que uma figura religiosa. Ele é um símbolo histórico e social do Nordeste. Um “santo popular” desses que o povo não espera a igreja canonizar, porque o coração já canonizou faz tempo.Juazeiro do Norte carrega isso na alma.E a imagem dele é impossível de ignorar: aquela estátua gigantesca, com 27 metros, no alto da Colina do Horto, erguida em 1969.
É um ponto de peregrinação que atrai milhões de romeiros. Gente que vai por fé, por promessa, por esperança, por agradecimento, por desespero… por tudo junto.
E quando você entende isso, o livro fica ainda mais potente.Porque não é só uma história.É um Brasil real, com crenças reais, com dores reais, com pessoas reais.
A narrativa tem humor, sim mas é aquele humor que vem da sobrevivência.Tem diálogo triste.Tem situações que você ri e depois pensa: “Meu Deus… isso é muito sério.”Tem crítica social sem precisar levantar cartaz. Ela só mostra. E mostrar, às vezes, é mais forte do que explicar.
E o que eu mais gosto é que A Cabeça do Santo é uma leitura rápida, mas não é uma leitura rasa.Ela te entrega entretenimento e, de brinde, te obriga a olhar pra coisas que a gente costuma varrer pra debaixo do tapete:
– fé e fanatismo
– tradição e abandono
– amor e solidão
– desejo e culpa
– esperança e realidade
Tudo isso com uma “magia brasileira” que não é purpurina é um tipo de encantamento que nasce da cultura, do povo e do improviso.
Então fica aqui minha dica:se você quer uma leitura brasileira diferente, envolvente e com identidade, leia esse livro.
E se você for curiosa(o) depois vai pesquisar Juazeiro do Norte, vai pesquisar o Padim Ciço, vai entender o tamanho disso tudo.Porque tem histórias que não terminam quando o livro fecha.Elas continuam no mundo.A gente só precisa parar de fingir que não é com a gente.
P.S. ( A LEITURA NÃO É SOBRE o Padim Cícero)
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