Postado em 21/09/2026 às 12h28
Em dias de chuva forte, muita gente olha para o telhado procurando telha quebrada, falha de vedação ou infiltração. Mas o problema pode estar alguns centímetros adiante: na calha e nos condutores que deveriam retirar dali toda aquela água. Calha não é apenas uma peça para “pegar a chuva”. Ela precisa receber, conduzir e entregar a água aos tubos verticais sem transbordar. Se for estreita, se tiver pouca inclinação, muitos trechos longos, sujeira, folhas ou poucos pontos de descida, a água se acumula. E, quando ultrapassa a borda, pode molhar fachadas, forros, paredes e até criar infiltrações que parecem vir do telhado. Outro erro comum é concentrar uma cobertura grande em uma única descida, no fim de um longo trecho de calha. Às vezes o tubo até tem bom diâmetro, mas a própria calha não consegue levar até ele toda a vazão que recebe. O volume envolvido surpreende. Uma chuva intensa de 150 mm/h sobre 100 m² de cobertura representa, aproximadamente, 250 litros de água por minuto chegando ao sistema. É muita água para ser conduzida em poucos pontos. Por isso, calhas, bocais e condutores verticais precisam ser dimensionados em conjunto. Como simples ordem de grandeza — e não como regra de projeto — um condutor vertical de 100 mm costuma aparecer em referências práticas atendendo algo próximo de 90 m² de cobertura, para chuva de 150 mm/h. Porém, inclinação do telhado, geometria, intensidade da chuva, comprimento da calha e posição das descidas mudam essa conta. Na drenagem, não basta ter calha. É preciso dar caminho à água.
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