24 de Junho de 2019
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Saúde psicológica dos pais de bebês prematuros merece atenção

Visitas recorrentes à UTI neonatal causam preocupação durante o processo


12/12/2018 às 14h51

Brasil    Saúde


Durante a gestação, o sonho da maternidade acontece junto a muitas expectativas, mas o principal desejo de uma família é de que a criança seja saudável. Para os pais, o filho nascer antes das 37 semanas de gestação, assim classificado um bebê prematuro¹, pode vir carregado de medos e inseguranças em relação aos próximos passos e decisões para a saúde da criança.

““São várias as causas que levam ao parto prematuro, dentre elas destacamos a hipertensão na gestação, infecções maternas e complicações placentárias” conta a neonatologista Jucille Meneses. Dado o nascimento, a rotina árdua de consultas, exames e tratamentos após o parto, podem causar um quadro de estresse e ansiedade. “A insegurança e o desconhecimento dos pais dos prematuros exige que toda a equipe que trabalha com esses recém-nascidos atendam a esta família cuidadosamente, orientando e esclarecendo todas as dúvidas, engajando a família nas decisões clinicas e estimulando a participação ativa nos cuidados com o paciente”, completa a médica.

De acordo com a literatura médica, o grau de prematuridade de uma criança é classificado de prematuro extremo (com menos de 28 semanas de gestação) ao prematuro tardio (nascidos entre a 34ª e a 37ª semana)¹. Dados do Datasus 2016, relatam o nascimento de mais de 300 mil bebês prematuros no Brasil, que representam cerca de 12% do total de nascimentos por ano.

O medo do inesperado

Após muitas tentativas, Miqueline, descobriu que estava grávida de uma forma inusitada, “eu estava no trabalho quando tive um sangramento muito forte e no hospital descobri que estava grávida de 2 meses”, conta a mãe. Hoje, ela relata o choque ao descobrir que seu filho iria nascer prematuro. “Foi traumático pois eu não estava esperando que isso fosse acontecer e também nunca tive acesso a muita informação sobre a prematuridade, logo depois do nascimento eu ainda não conseguia visitá-lo na UTI sem meu marido, estava com medo do que podia acontecer e procurei um acompanhamento psicológico para manter a calma”, completa Miqueline.

“Chegava o fim do dia e eu precisava ir embora do hospital pois não podia dormir junto ao bebê, foram inúmeras vezes em que cheguei em casa chorando”, relata a mãe. Para ela, a troca de experiências com outras mães, além do acompanhamento dos médicos, foi fundamental. “Sempre me culpei muito por ele ter nascido prematuro e foi durante o período no hospital que entendi que era normal, comecei a trocar experiências e angústias com outras mães, o que se tornou ótimo para lidar com a montanha russa de emoções que é ter um bebê na UTI”.

Segundo Miqueline, o medo persistiu até o momento em que o bebê recebeu a alta pois tinha receio de que sua inexperiência pudesse prejudicar a saúde do filho. “Depois que ele foi para casa, passamos um ano todo com cuidados específicos e evitando visitas. Foi quando ele completou um ano que começamos a levá-lo para passear e hoje conseguimos ter uma vida normal”, conclui a mãe emocionada.

A importância do contato

A experiência de Elisangela foi um pouco diferente. Após quatro fertilizações, ela realizou o desejo de ser mãe no ano passado. “A minha bolsa estourou com 25 semanas após uma dor nas costas, comecei a perder muito líquido e ter contrações que me levaram ao parto normal”, contou a mãe. Elisangela relata que não tinha noção que era possível parir um bebê com poucas semanas de gestação e ficou muito preocupada quanto a sobrevivência da filha.

“Foi muito dolorido ver a minha filha na UTI, de início ela teve algumas hemorragias, de grau um a grau quatro. Comecei a consultar informações na internet o que fez com que ficasse ainda mais preocupada e só tranquilizasse depois de uma consulta com a neurologista”, conta a mãe. Segundo ela, o que a acalmou durante o processo foi o contato com outras histórias de bebês prematuros de amigos e familiares. “Procurei gastar energia em ver minha filha bem, passava os dias no hospital e ia embora só para dormir. A presença do meu marido foi essencial para o processo, se eu não ficasse calma, eu não conseguiria produzir leite para ela”.

Hoje voluntária da ONG Prematuridade, associação de pacientes para pais de bebês prematuros, Elisangela reforça a importância da confiança nos médicos e em outras mães. “É preciso confiar muito na equipe do hospital, eles são uma nova família para o seu filho. Além disso, contar com o apoio de quem está passando pela mesma situação é essencial para entendermos o cenário e tomarmos as melhores decisões para o bebê”, concluí.



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