21 de Maio de 2022
Central de Relacionamento

Cresce número de animais abandonados na cidade durante a pandemia

ONGs estão superlotadas e não conseguem abrigar todos os animais; o restante fica nas ruas e sofre maus-tratos

 Publicado em  10/05/2022 às 10h38  Indaiatuba  Cidades


Abrigo da ONG Upar, uma das maiores da cidade, que vive o problema da superlotação

Abrigo da ONG Upar, uma das maiores da cidade, que vive o problema da superlotação
Foto: Ana Paula Alves/Vitor Manso

Hellica Miranda

hellicamiranda@maisexpressao.com.br

Dados da Upar (União Protetora dos Animais de Rua) de Indaiatuba, com respaldo do CRA (Centro de Reabilitação Animal) do município, dão conta de que, desde o início da pandemia, a quantidade de animais abandonados na cidade aumentou consideravelmente, dificultando o cenário já árduo das ONGs e instituições de apoio, que estão superlotadas e sem recursos para atender a todos.

As entidades não conseguem contabilizar exatamente o percentual de aumento, porque não há um controle que some o trabalho das quatro ONGs que fazem o resgate de animais e da quinta que combate maus-tratos na cidade. Em razão da superlotação, os animais que não são atendidos pelas ONGs ficam nas ruas e muitos sofrem maus-tratos.

A Upar, umas das maiores da cidade, possui atualmente, por exemplo, mais de 160 cachorros que foram resgatados, alguns em situações graves, que necessitam de cuidados imediatos para que suas vidas sejam salvas.

“A pandemia teve aspectos positivos e negativos, tanto no financeiro, quanto na questão dos abandonos” declara Patrícia Araújo, umas das representantes da ONG. “O aumento no preço da ração gerou instabilidade nas finanças e ocorreram adoções irresponsáveis durante esse período”.

Os levantamentos de Patrícia condizem com a realidade em todo o país: já em 2020, poucos meses após o início das restrições relacionadas à Covid-19, no Distrito Federal, de acordo com o gerente de Vigilância Ambiental de Zoonoses, Rodrigo Menna Barreto, entre janeiro e setembro de 2020 o número de adoções de animais registrados pela Gerência de Vigilância Ambiental e Zoonoses foi maior do que o dobro do registrado em todo o ano anterior, quando a pandemia não havia ainda chegado ao país, mas ressaltou que, após as adoções, também vieram muitos abandonos.

“Alguns dos que adotaram para companhia no período de isolamento acabaram chegando à conclusão de que não querem pets, após perceberem que esses animais precisam de atenção, carinho e cuidados veterinários, o que gera um custo às vezes inviável para quem tem orçamento apertado. Diante dessa situação, muitos acabaram optando por abandonar o animal”, afirmou Menna Barreto.

Conscientização é a única solução, diz estudante

O estudante de jornalismo Vitor Manso, de 20 anos, que visitou a Upar (União Protetora dos Animais de Rua) e coletou boa parte dos dados fornecidos pela instituição, ressalta que, ainda que conte com apoio da Prefeitura, a Upar enfrenta dificuldades, sobretudo devido à incerteza quanto ao futuro. É impossível prever quantos animais serão abandonados ou quantos dos abrigados pela instituição precisarão de atenção especial, por exemplo. Por isso, a única real solução é a conscientização, segundo ele.

“Ouvi vários relatos da situação e dos lugares que os cachorros foram encontrados. É realmente de partir o coração saber que há pessoas que são capazes de tanta maldade. Sem contar também as adoções irresponsáveis, onde devolvem ou acabam abandonando. Cachorro não é presente para criança, precisa mais do que um pote de ração para criar, requer responsabilidade e amor”, diz Vitor.

Legislação de proteção teve penas aumentadas

Desde 1998 o Brasil tem lei específica para garantir defesa e amparo a animais vítimas de crueldades e maus-tratos, a Lei de Crimes Ambientais Nº 9.605. Ela determina pena de detenção de três meses a um ano e multa. Mas, desde setembro do ano passado, uma alteração nessa lei fez com que ela passasse a garantir ainda pena de 2 a 5 anos de reclusão, além do pagamento de multa e o registro de antecedentes criminais contra os agressores.

No entanto, o alto número de registros desses crimes é preocupante: em São Paulo, as denúncias cresceram quase 16% em 2021, de acordo com a DEPA (Delegacia Eletrônica de Proteção Animal), o que mostra que, entre janeiro e novembro do ano passado, ocorreram 16.042 denúncias, contra 13.887 no mesmo período de 2020.

Como destacam protetores que representam ONGs e outros independentes, o número de crimes que chega à polícia é muito menor do que o real, já que diversos casos são acolhidos e resgatados pelas próprias instituições e indivíduos apoiadores da causa sem registro oficial.

Galeria de mídia

  • Abrigo da ONG Upar, uma das maiores da cidade, que vive o problema da superlotação

    Abrigo da ONG Upar, uma das maiores da cidade, que vive o problema da superlotação
    Foto: Ana Paula Alves/Vitor Manso



Comentários

*Leia o regulamento antes de comentar

Frutos de Indaiá

O Troféu Frutos de Indaiá tem o significado de sucesso e vitória. Uma premiação pelo esforço contínuo e coletivo em direção à excelência.

Confira como foi o Frutos de Indaiá 2021.

COMPARTILHE