Publicado em 03/03/2026 às 13h32 Indaiatuba Educação
Denise Paspardelli com Gabi Domingues e Flávia Girardi
Foto: Lucas Cardoso/ Mais Expressão
O colapso social e ambiental já não é mais uma previsão distante, mas uma realidade que se manifesta de forma cada vez mais frequente. Esse foi um dos principais alertas feitos pela bióloga e especialista em biomimética Denise Paspardelli durante entrevista ao Futuro em Pauta, apresentado por Flávia Girardi e Gabi Domingues.
“O colapso social e ambiental está cada vez mais próximo, afetando a todos. Não podemos ignorar os sinais e o planeta já responde ao nosso modo de vida. É hora de encarar a realidade”, afirmou Denise, ao refletir sobre os impactos acumulados de décadas de exploração e consumo desenfreado.
Segundo a bióloga, já não faz sentido tratar sustentabilidade apenas como a tentativa de “sustentar” um modelo de sociedade que dá sinais claros de esgotamento. “A gente não pode mais falar de sustentabilidade no sentido de sustentar uma sociedade que já está colapsada. Esses cenários estão se aproximando e sendo cada vez mais recorrentes”, alertou, citando episódios recentes de desastres ambientais no país.
Denise destacou que a ideia de que os impactos não atingem a todos é ilusória. “Vai ter um momento em que não vai existir mais aquele pensamento de ‘isso não acontece comigo’. Não vai ter um posto de ajuda. É disso que a gente está falando. Não é um discurso negativo, é o olhar real do planeta respondendo ao nosso modo de vida.”
Educação como ponto de virada
Ao longo da entrevista, a biomimética: ciência que aprende com os processos da natureza, aparece como uma ferramenta potente de transformação, especialmente quando aplicada à educação infantil. Para Denise, é na infância que se constrói uma nova relação com o planeta.
“A educação ambiental existe há muitos anos, mas ficou muito limitada a ‘fecha a torneira’ e ‘não joga lixo no chão’”, avaliou. Segundo ela, quando se olha para a natureza pelas lentes da biomimética, revela-se uma inteligência complexa e inspiradora. “Existe uma inteligência fenomenal nos processos da natureza. Quando as crianças começam a ver as coisas por esse olhar, aquela curiosidade da infância se torna algo muito transformador.”
Ela compara esse aprendizado ao universo dos heróis. “Os animais viram heróis, cada um com seu superpoder. Isso fixa muito na infância. Talvez isso tenha faltado para a nossa geração.”
Do resíduo à solução
Durante a conversa, Denise apresentou exemplos concretos de como resíduos podem se transformar em soluções inovadoras, como embalagens feitas a partir de materiais naturais. “Por que desmatar uma área se a gente pode transformar resíduos em papel de beterraba que vira embalagem de ovo?”, provocou.
Ela explicou que a resistência inicial a esse tipo de material é cultural. “Se uma pessoa adulta vê uma embalagem diferente, ela estranha. Mas se a criança entende o processo desde pequena, aquilo vira o normal. O estranho passa a ser o plástico.”
Além disso, destacou o impacto ambiental direto desse tipo de escolha. “A tartaruga não vai morrer se comer isso. E no final, a gente pode enterrar no jardim.”
Reaprender para seguir em frente
Para Denise, a transformação exige desapego e coragem para mudar padrões consolidados. “A gente vai ter que desestruturar muita coisa. Isso não significa deixar de ser próspero, mas imaginar prosperidade a partir de outra ótica”, afirmou. Segundo ela, o ser humano tem dificuldade em lidar com mudanças, especialmente quando elas questionam práticas mantidas por décadas.
A especialista também chamou atenção para o ruído das redes sociais, que muitas vezes enfraquece iniciativas positivas. Ainda assim, vê esperança em movimentos educacionais baseados na natureza. “Quando a gente forma núcleos saudáveis, com conhecimento de verdade, esse núcleo cresce. E isso faz diferença.”
Ao final, Denise reforçou que a potência do cuidado ambiental já existe nas pessoas. “Quando eu falo de biomimética, é como se as pessoas quisessem ter ouvido isso antes. Essa vontade de cuidar do ambiente está na nossa base. Se a gente sensibilizar desde o começo, as pessoas cedem, porque não tem como não ver que isso é real.”
A entrevista completa está disponível no canal do Mais Expressão no YouTube.
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